Os países ricos beneficiando da nota "Aaa", que lhes permite endividarem-se às melhores taxas, não deverão esperar a retoma para reduzir os défices, considera a agência de notação financeira Moody num relatório hoje divulgado.
Estes países (França, Alemanha, Estados Unidos...) "não se poderão dar ao luxo de esperar que a retoma esteja assegurada para anunciar e talvez implementar programas credíveis de redução de défices", escreve a agência num comunicado.
Crise financeira marca última fase
"A crise das finanças públicas que afectou muitos países ricos (...) assinalará a última - e longa - etapa da crise económica", prevê Pierre Cailleteau, analista na Moody's, citado no comunicado.
De modo mais geral, a Moody's antecipa um ano 2010 "tumultuoso" para os títulos da dívida emitido pelos Estados, numa altura em que a situação de certos países (Grécia, Ucrânia...) suscita já preocupações.
"2010 será, no melhor dos casos, um ano de 'normalização' e, no pior dos casos, marcará um endurecimento profundo das condições de financiamento dos Estados", prossegue Cailleteau.
O fim dos dispositivos anti-crise e a provável subida das taxas de juros vão revelar "o verdadeiro custo" da recessão para a sustentabilidade da dívida em todo o mundo, julga o analista.