A Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP) faz um "balanço positivo do ano lectivo 2008/2009 e da actual legislatura", mas critica o Governo por "não ter avançado com a componente de apoio à família".
"Falhou apenas a componente de apoio à família, relacionada com a organização de espaços para que as crianças possam ficar na escola quando os pais não podem estar com eles", defende Albino Almeida, presidente da CONFAP, que integra 45 federações concelhias e 15 federações regionais.
"Isto não tem nada a ver com professores", realça o mesmo responsável, que defende "um modelo envolvendo animadores sócio-culturais que estão a ser formados nas escolas secundárias e podem ter nesse trabalho uma preparação para o ensino superior".
Para Albino Almeida, "a componente do apoio à família é extremamente importante e neste momento ganha uma nova dimensão, atendendo à situação económica das famílias".
Permitindo o funcionamento das cantinas escolares durante as férias, por exemplo, "esse apoio representaria, para muitas crianças, a única refeição equilibrada do dia".
O presidente da CONFAP espera assistir "à generalização desta oferta no próximo ano lectivo", lembrando que a proposta foi apresentada em Março.
A CONFAP defende também a reforma curricular do 3.º Ciclo do ensino básico: "É preciso reduzir a carga curricular dos alunos - para que eles se concentrem e não se dispersem - e transformar o 3.º Ciclo num ciclo preparatório do ensino secundário".
Quanto aos aspectos positivos do ano lectivo que está prestes a terminar, o Conselho Geral da CONFAP identificou cinco: "a generalização das refeições no 1.º Ciclo, o programa 'Escola a tempo inteiro', o aumento da acção social escolar, a obrigatoriedade do ensino secundário, a construção de novas escolas e a renovação das escolas EB 2/3 e do 3.º Ciclo".
Já a Confederação Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE) faz um balanço mais crítico do ano lectivo 2008/2009 por causa de alguma instabilidade criada sobretudo pelo confronto entre Ministério da Educação e professores, considerando que acabou por perturbar o ambiente nas escolas.
Para a presidente da CNIPE, Maria José Viseu, o ano foi ainda pautado pela publicação de muita legislação: "Isso provoca instabilidade também dentro das escolas porque não se sabe muito bem o que vai acontecer". A responsável aponta o caso do novo modelo de gestão escolar e do estatuto do aluno.
Maria José Viseu destaca ainda episódios de indisciplina e violência nas escolas que vieram a público, lembrando os casos da utilização de telemóveis nas salas de aula ou de agressões de famílias a professores e de professores a alunos.
"Ainda que pontuais, são situações que reflectem um clima de instabilidade na sociedade, como o desemprego e os problemas que as pessoas estão a viver. A escola não é estanque e acaba por reflectir os problemas sociais que existem", diz.
Maria José Viseu considera que ano lectivo 2008-2009 não pode no entanto ser analisado sem ter em conta medidas de anos anteriores, reconhecendo que algumas já começaram "a funcionar bem", como as actividades de enriquecimento curricular.