Os tugas que atacam o Google
Chamem-me fascista, mas eu continuo a ter esperança no país e na capacidade de resposta do Mr. Tuga. Não, não é só por causa da vitalidade dos sectores tradicionais. A esperança resulta, acima de tudo, do surgimento de sectores mais complexos e de uma nova geração que demonstra capacidade para estar na vanguarda das tecnologias da informação. Tal como eu dizia há dias, já exportamos mais turismo de saúde do que vinho ou cortiça , e já temos jovens capazes de jogar na Liga dos Campeões das novas tecnologias.
Estou a exagerar nesta coisa da Liga dos Campeões dos geeks? Não, não estou. Olhemos para casos concretos. Em Coimbra, três jovens portugueses desenvolveram uma ferramenta que desafia o Google. Esta ferramenta, o Bundlr, é uma espécie de Google mas em bom, isto é, faz uma selecção mais minuciosa e direccionada dos conteúdos pesquisados. Com apenas um aninho de vida, o Bundlr já tem oito mil subscritores espalhados pelo mundo. Entre eles, contam-se alguns jornalistas do The Guardian e um canal americano de meteorologia. A moral está em alta, e um dos jovens informáticos diz que o Bundlr será "uma verdadeira alternativa ao Google" (Sol, 9 de Março). Saúdo esta arrogância à Mark Zuckerberg dos geeks coimbrinhas, tal como saúdo a empresa portuguesa, Biodroid, que faz jogos de enorme sucesso para a App Store da Apple. E também brindo à saúde da Seed Studios. A partir da Ribeira do Porto, esta empresa fez o primeiro jogo português para a Playsation.
Se estivermos disponíveis para uma dose de factos que escapem à ladainha do costume, vamos encontrar nos jornais mais empresas como estas. "Mas estas empresas ainda não têm a força para mudar de imediato o tecido económico português", diz o apocalíptico que é discípulo de La Palisse. Sim, é verdade. Mas a existência destas empresas indicam uma mudança de fundo na nossa sociedade. Pela primeira vez, temos gente na vanguarda de uma revolução tecnológica. "Um pormenor sem importância", dirá o apocalíptico da mesa do canto.


