26/05/2012 atualizado às 19:31
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Os roupões portugueses de Roman Abramovich

A Li & Fung, a maior trading do mundo, conta com 81 fornecedores portugueses. Entre as suas encomendas contam-se cobertores, almofadas, lençóis e roupões para milionários, marcas famosas e hotéis de luxo.

Abílio Ferreira (www.expresso.pt)
15:20 Quarta feira, 3 de novembro de 2010
Roman Abramovith é uma das personalidades que não dispensa os artigos da Li & Fung
Roman Abramovith é uma das personalidades que não dispensa os artigos da Li & Fung
Kirsty Wigglesworth/AP
As peças exclusivas são criadas por gabinetes de Londres e Nova Iorque que transferem para a LF o fabrico dos artigos
As peças exclusivas são criadas por gabinetes de Londres e Nova Iorque que transferem para a LF o fabrico dos artigos
DR

Como é que os cobertores, almofadas, lençóis, toalhas ou roupões personalizados que equipam as cabinas dos iates e aviões de celebridades como Bill Gates, Paul Allen ou Roman Abramovich são fabricados em pequenas têxteis nortenhas?

O segredo reside na multinacional Li & Fung (LF), a maior trading do mundo. Uma trading vende produtos (o agente vende serviços) e faz a ponte entre quem fabrica e quem vende, correndo os riscos da operação. Para os clientes, assume-se como fornecedor, para os fabricantes como cliente.

Com 80 escritórios e 16 mil funcionários, a LF funciona como braço armado de gigantes do retalho, cadeias de moda e redes hoteleiras, distribuindo as encomendas pelos 42 países em que opera, procurando sempre a solução certa, ao preço certo.

No caso dos iates e aviões, as peças exclusivas e luxuosas são criadas por gabinetes de Londres e Nova Iorque que transferem para a LF a responsabilidade do fabrico e entrega das peças. É nessa fase que entram em cena os 81 fornecedores de vestuário, têxtil-lar, cerâmica e vidro com que lida a sua base portuguesa da Maia.

A mesma lógica explica a presença de têxteis-lar portugueses nas camas dos novos hotéis Mandarim (Miami e Milão) e das unidades de Londres, Berlim e Miami da cadeia de boutique hotel Soho - a Hyatt pode em breve engrossar a lista. Mas, no universo dos lençóis, roupões e toalhas de banho, a maior proeza recente foi a encomenda para um condomínio requintado, promovido pelo sultão do Bahrein, na zona londrina de Mayfair.

Barómetro da indústria


Saber o que compra e para quem compra em Portugal o maior trading do mundo é um exercício que ajuda a perceber para onde caminha a nossa indústria. A LF é um excelente barómetro para medir a competitividade dos países.

"Portugal deve assumir-se como a nova Itália e focar-se, pela proximidade, nos mercados europeus. A flexibilidade fabril é uma das vantagens, mas sofre do défice no design e inovação", diz David Schneider, 43 anos, vice-presidente da organização e responsável pelo escritório português.

A indústria portuguesa tem perdido competitividade "porque não está a ser suficientemente inovadora". O fator crítico, diz David Schneider, não é o custo de mão de obra, mas o preço da energia. As ações de promoção sectoriais "são um desperdício". O país deveria promover no exterior a marca Portugal. Os sinais mais recentes são encorajadores.

David Schneider conta que a capacidade dos seus fornecedores está esgotada até ao fim do ano e o negócio da LF em Portugal crescerá 26%, em 2010.

O desempenho cura de vez as feridas provocadas pela sova de 2009 (queda de 20%) e permite à base portuguesa regressar a vendas acima dos €60 milhões, batendo um novo recorde.

Marcas famosas


No seu catálogo de clientes surgem marcas famosas como Calvin Klein, Ralph Lauren, Kenzo, L'Oreal ou Tommy Hilfiger e redes como as britânicas John Lewis e Debenhams.

"A vocação de Portugal é para as pequenas séries, de gama alta, evitando concorrer com os fabricantes asiáticos", diz o gestor. Ainda assim, admite que a desvalorização do euro poderá abrir espaço no mercado americano, em peças de preço mais baixo.

Recentemente, David Schneider teve de produzir, em oito semanas, três milhões de robes em poliéster. A encomenda foi distribuída por quatro fábricas na Turquia, um dos principais rivais dos fabricantes lusos.

Portugal nunca teria capacidade nem preço. Mas, quando se tratou de fornecer roupões personalizados para a casa do sul de França de Roman Abramovich, a encomenda foi entregue ao escritório da Maia. O multimilionário reincidiria depois para oferecer roupões iguais aos seus amigos.

Globalização total


A LF é um exemplo perfeito da globalização da economia atual. É possível que aplique um fecho do Japão numa peça fabricada com tecido da China, tingida em Itália e confecionada em Portugal. A companhia só não tem fábricas, nem lojas. No resto, trata de tudo, desde a ideia, à entrega no retalho. E tem designeres e coleções próprias que sugere aos seus clientes.

Um terço do que está à venda num grande centro comercial norte-americano terá sido colocada pela agência, fundada há mais de cem anos pelos senhores Li e Fung.

A cadeia Khol's é o seu principal cliente, comprando-lhe por ano 1,5 mil milhões de dólares (1,1 mil milhões de euros). Mas Portugal não come à mesa das grandes cadeias. É por isso que a LF compra agora menos vestuário às têxteis portuguesas. Representa menos de metade das vendas, compensando pelo reforço do segmento dos têxteis-lar.

"O mundo mudou e na moda os segredos acabaram. Trocam-se ideias, as novidades circulam livremente. Dantes, o show room das marcas mostrava as coleções anteriores, que tinham sido embarcadas. Agora, apresenta as novidades", diz o vice-presidente da LF.

O gestor, nascido no Porto e licenciado em Genebra, passa dois terços do ano a viajar e tornou-se passageiro frequente para Índia, Paquistão e Hong Kong.


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tinha de ser
Man on the Moon (seguir utilizador), 1 ponto , 21:24 | Quarta feira, 3 de novembro de 2010
há sempre um português em qualquer história por esse mundo fora...
 
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É PARA VEREM
josilnor (seguir utilizador), 1 ponto , 0:56 | Quinta feira, 4 de novembro de 2010
DURANTE MUITO TEMPO ANDARAM OS NOSSOS PULITICOS E OUTROS IGNORANTES, MENOSPRESANDO E MESMO INSULTANDO OS TEXTEIS PORTUGUESES.
ESPERO QUE AGORA COMECEM A ENGOLIR EM SECO O QUE DISSERAM.
INFELIZMENTE O MAL ESTÁ FEITO E A MAIOR PARTE DA NOSSA INDUSTRIA TEXTIL DESAPARECEU, ARRASTANDO CONSIGO MUITAS INDUSTRIAS COMPLEMENTARESE MANDANDO MILHARES PARA O DESEMPREGO.
  QUEM VAI RESPONSABILIZAR ESTES BANDIDOS???
 
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curioso é como ouço o mesmo desde que me conheço..
rviais (seguir utilizador), 1 ponto , 11:14 | Quinta feira, 4 de novembro de 2010
"Portugal deve assumir-se ... focar-se, ... proximidade ... mercados europeus... flexibilidade fabril ... défice no design e inovação... perdido competitividade...porque não está ... suficientemente inovadora... factor crítico ... mão de obra...energia... promoção sectoriais ...desperdício ... país deveria promover no exterior a marca Portugal. Os sinais mais recentes são encorajadores. ..."
(valha isso)

Isto depois de...
...desbaratar mão de obra achando que isso sim é forma de ser competitivo;
...desincentivar a cultura da cultura, do conhecimento e do ensino;
...comparar o que não têm comparação (produtividade, sem explicar o que é, cálculo e consideração do tipo de industria característica de cada país)
...ainda assim
ser premiado e reconhecido em design e inovação por esse mundo fora, desconhecido neste mundo adentro...

O (trabalhador) português
querido, produtivo e o melhor trabalhador do mundo em qualquer parte do mundo para qualquer patrão do mundo... desde que não seja português?

que seria se acreditasse na visão, na cultura de Cultura, conhecimento, ensino e exercesse com sabedoria o verbo gerir, liderar, coordenar, co-mandar...
 
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Os "bens transaccionáveis" que agora são moda ...
castanhinha (seguir utilizador), 1 ponto , 14:52 | Quinta feira, 4 de novembro de 2010
Durante os últimos anos a nossa classe política , os macro-economistas e os fazedores de opinião fizeram escárnio da nossa indústria têxtil. Como ficavam bem com a boca cheia de "tecnologia" ! Então se o sector produzir algo que tenha leds a piscar, uia, isso é que é tecnologia!...

Os pobres dos dinamarqueses exportam mais têxteis do que nós ! Coitados,são pobrezinhos e não conhecem essa tal de "tecnologia" que enche a boca aos nossos dirigentes.

  Éramos nós ricos, agora sabemos que com o dinheiro dos outros, e o nosso PR , grande economista dr. Cavaco, disse numa reunião Ibero Americana que Portugal já não era um exportador de têxtil e calçado ... estava este brilhante pensador com a mente nos leds da Autoeuropa e da Quimonda. Esquece-se este pensador que nos limitamos a montar legos que nos chegam à mãos cheios de tecnologia que não é nossa. A Quimonda foi-se e lá se foi o saldo tecnológico tão apregoado. E pelos vistos os trabalhadores ganhavam 600 euro / mês, incluídas as horas extraordinárias, o que pouco mais é do que o ordenado mínimo.

Também assistimos a uma intervenção em directo na TV de outro brilhante pensador da nossa praça, de seu nome Sócrates ,quando visitava uma fábrica de calças de ganga portuguesa, dizer a quem quis ouvir que " para mim calças de ganga só Levis" ...Só lhe faltou dizer "Mad in China " !

O que se pode fazer com um país gerido por esta gente ? ...

 
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    Re: Os    Ver comentário
josilnor (seguir utilizador), 1 ponto , 23:02 | Quinta feira, 4 de novembro de 2010
    Re: Bens transacionáveis    Ver comentário
JoséPinto73 (seguir utilizador), 1 ponto , 0:22 | Sexta feira, 5 de novembro de 2010
    Re: Bens transacionáveis    Ver comentário
castanhinha (seguir utilizador), 1 ponto , 17:55 | Sexta feira, 5 de novembro de 2010
    Re: Os    Ver comentário
castanhinha (seguir utilizador), 1 ponto , 12:27 | Sexta feira, 5 de novembro de 2010
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