Os portugueses são os mais resignados entre os europeus, diz "The New York Times"
A fama dos portugueses como um povo especialmente resignado continua a espalhar-se. Um artigo de capa do "The New York Times" diz que os nossos compatriotas, perante a austeridade, se limitam a encolher os ombros e seguir em frente com a vida.
O desemprego (oficial) está quase nos 15 por cento -- e perto dos cinquenta para os jovens. Hospitais e outros serviços vão fechando ou sofrem cortes. Ordenados, pensões, prestações de todo o tipo são reduzidas ou eliminadas.
A miséria pode ir crescendo, sem que a desigualdade diminua.
Mesmo assim, os portugueses - com excepção de alguns grupos (funcionários públicos, etc) que são sempre os mesmos -- não protestam nem fazem barulho como os gregos.
"Os portugueses são brandos"
O diário nova-iorquino parece atribuir o facto a uma combinação de sabedoria e fatalismo.
No fundo, os portugueses sabem que a culpa da situação a que chegaram é deles; e até o admitem. Aliás (o artigo não diz isto, mas podia dizer) nem sequer os choca que alguns dos maiores defensores da austeridade sejam pessoas que muito lucraram com a imprevidência anterior, e que a defendiam.
"Os portugueses são brandos", explica ao NYT o dono de um grill nas traseiras do Ministério das Finanças.
Poderá a localização influenciar as opiniões do dono? Não, parece tratar-se de um sentimento geral. "Somos todos culpados", diz o empregado de uma fábrica de móveis em Tomar.
"Já éramos pobres antes da crise..."
Um colega dele acrescenta que o mau humor não nos levará a lado nenhum. "Como éramos pobres antes da crise, não nos sentimos assim tão diferentes".
Será talvez, em certas pessoas, um caso de saudades -- de um tempo que ainda não é assim tão remoto, em que éramos realmente muito pobres.
Ou então é uma questão de bom senso. Pela Europa fora, nota o artigo, há muita gente que também se conforma. E a situação, lembram alguns, até podia estar pior.
"Mas talvez em lado nenhum sejam as pessoas tão aquiescentes como em Portugal", acrescenta o artigo. Que também recorda os níveis educacionais em Portugal, anormalmente baixos na Europa e entre os países desenvolvidos.
(link para o artigo do New York Times:) http://www.nytimes.com/2012/06/08/world/europe/portugal-shrugs-at-austerity.html?_r=1&ref=world


