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Os portugueses estarão extintos em 2204?

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O título é, deliberadamente, provocatório e exagerado. O objetivo é chamar a atenção para um problema sério que ameaça Portugal. A população portuguesa já diminuiu em 2010 e 2011 e tudo indica que a tendência é para continuar. Nos últimos dois anos, entre o saldo natural negativo (diferença entre nascimentos e mortes) e o saldo migratório (balanço entre emigração e imigração) também negativo, Portugal perdeu 85 mil pessoas.

Desde o início dos anos 90 que a população portuguesa não diminuia. O saldo natural tinha tido já um ano negativo - em 2007 - mas tinha sido compensado pelas migrações. A partir de 2010 as coisas mudaram completamente e, o pior, é que isto não vai ficar por aqui. As más notícias na frente de demográfica sucedem-se, quer em termos de natalidade, quer nos movimentos migratórios.

As últimas estimativas disponíveis, a partir do número de crianças a fazer o chamado teste do pezinho, apontam para uma nova quebra dos nascimentos este ano. No ano passado, foram 97 mil, o valor mais baixo em décadas, e este ano poderão ser apenas 89 mil.

Enquanto isto, as mortes têm-se mantido sempre acima das 100 mil por ano: 104 mil, em média, desde 2007. O que tem ajudado a agravar o saldo natural que no ano passado foi de -6000 pessoas e este ano, a confirmar-se a previsão de nascimentos e a manter-se a mortalidade média dos últimos anos, poderá duplicar. 

Ao mesmo tempo, as migrações deixaram de ajudar. Muitos estrangeiros que viviam em Portugal começaram a regressar aos seus países e os portugueses, por pressão da crise e do desemprego, começaram a sair para o exterior num ritmo que não se via há muitas décadas.

A taxa de desemprego é o melhor indicador para medir a capacidade de atração de uma economia. Durante quase vinte anos, até 2010, a economia portuguesa teve saldos migratórios positivos. Correspondeu a um período em que o desemprego diminuiu até ao mínimo de 4% em 2000. Os últimos saldos negativos tinham sido nos anos 80, o que coincidiu com a intervenção do Fundo Monetário Internacional (FMI) e com um desemprego que chegou a ultrapassar 10% (1984).

A 'fuga' de portugueses para o exterior não tem apenas efeitos diretos na população através do saldo migratório. Como se tratam, em média, de pessoas mais novas do que as que ficam, a sua saída tende também a diminuir a natalidade do país. Já não falando, claro, do facto de muitas destas pessoas serem qualificadas - engenheiros, por exemplo, que estudaram nas melhores escolas portuguesas e vão ser 'oferecidos' à Alemanha ou a Bélgica.

Uma população que está a definhar é uma péssima notícia para qualquer economia. Em primeiro lugar, porque tende para zero e se nada for feito há um momento no futuro em que desaparece. A data de 2204 é apenas um exercício simples que resulta da repetição do saldo populacional negativo que se espera para este ano tendo em conta as estimativas de nascimentos, a manutenção das mortes e a repetição do saldo migratório médio dos últimos dois anos. Ou seja, é o ano em que a população acaba se mantiver esta trajetória perigosa de perder cerca de 55 mil pessoas por ano. Não inclui os portugueses que vivem fora do país.

Depois, em segundo lugar, porque a quebra na natalidade e maior emigração envelhecem ainda mais uma população já envelhecida com todas as consequências que isso tem em termos de segurança social, contas públicas ou produtividade e crescimento económico.

Infelizmente, esta ameaça seríssima que Portugal enfrenta não tem sido olhada com a devida atenção por parte dos responsáveis políticos. E não se trata de um problema criado com o programa da troika. É uma tendência que já se observa há algum tempo e que tende a agravar-se e a auto-alimentar-se. Um país sem pessoas é um deserto e, já se sabe, com pequeníssimas exceções, ninguém gosta de viver no deserto.    


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'Os portugueses estarão extintos em 2204?
Não obstante compreender que o fazia para realçar o problema, arrepiei-me quando vi a data ser conseguida com um raciocínio tão simplista. "Uma sucessão aritmética?", pensei, "tem que ser geométrica no mínimo", e logo, Portugal nunca perderia a sua população nessa data.

E depois caí na real. Pelo menos por uns tempos pode muito bem até ser pior. A população envelhecida não foge, e logo posso assumir que a mortalidade desta se manterá constante... ao contrário da natalidade que cairá com a população jovem em fuga. A perda de população pode até acelerar.

Nada que não tenha dito, e serve bem para mostrar o terreno perigoso que é, onde reflexões adicionais não levantam facilmente a esperança.

É óbvio que Portugal nunca irá perder toda a sua população, e para mais, sou daquelas pessoas que acredita que estaríamos melhor com menos gente no mundo. Mas existe uma grande diferença entre uma ocupação sustentável e o deserto. Acresce as seguintes considerações:

1. A perda de gente faz-se pelas mesmas razões pelas quais o Interior se desertificou alimentando o litoral, mas desta vez com um país inteiro a desertificar-se em favor de outros. Não augura nada de bom que não tenhamos encontrado o nosso equilíbrio entre o interior e as cidades, porque estas serão as próximas vítimas.

2. A maior ameaça a Portugal é que o decréscimo de população traga consigo um PIB decrescente, incapaz de rentabilizar os investimentos e logo, a dívida devido a estes.
Excelente Artigo
Os meus parabéns João Silvestre. A questão demográfica é um problema sério e cujas soluções demoram décadas a surtirem efeito.

Existem outros efeitos que não foram aqui falados que também poderão ser importantes, e de efeito contrário, tais como as remessas de emigrantes, o conhecimento acumulado pelos portugueses fora e a abertura de novos mercados às empresas portuguesas criadas precisamente por esses portugueses emigrantes. Escrevi sobre o assunto recentemente, para quem estiver interessado:

oreivaivestido.blogspot.pt/2012/04/vaga-de-emigracao.html

Os melhores cumprimentos,

António
Afirmam os estudiosos que,
dentre os tantos motivos para a queda do Império Romano, foi realmente o saldo negativo de nascimentos e o envelhecimento da população e, de tal modo, que o exército era geralmente composto de "estrangeiros" e as fronteiras guarnecidas precariamente por futuros invasores. É lamentável a situação de Portugal, neste pormenor. No Japão, que está na mesma situação, o governo implementa, por meio das prefeituras, atrativos para o casamento e para a concepção. Aluguéis subsidiados, festa de casamento, emprego preferencial para jovens casados, prêmios por filhos gerados, acesso a boas creches e escolas etc. E, mesmo assim, o crescimento tem sido pífio. O Japão, como o antigo Império Romano, depende dos estrangeiros para movimentar sua economia, principalmente nos postos das linhas de montagens de carros, eletro-eletrônicos e similares. E o agravante é que não é todo o estrangeiro que é bem acolhido, como acontecia com os chineses, sempre considerados de terceira, mesmo quando eram bons como empregados. Também não ajuda muito a forma de contratação desses estrangeiros, que é feito por um sistema terceirizado, de milhares de pequenas empresas, geralmente controladas pela máfia local, sem quaisquer garantias para o trabalhador, que pode ser despedido sem qualquer ônus para o empregador ou para o empreiteiro. E, o passaporte, em geral fica retido (algo ilegal). A passagem de ida deve ser paga integralmente. Rio Grande
Boas noticias para Portugal
Quando o Povo Portugues é caracterizado por esta brilhante descrição:
"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas..."
 
Guerra Junqueiro, escrito em 1886

Se se extinguir um Povo desta natureza, é um benefício para a humanidade ...
Re: Boas noticias para Portugal
não os portugueses não estarão extintos em 2204!
Não, não, não os portugueses não estarão extintos em 2204! Em em 2024 os todos os portugueses já foram entregues aos credores como pagamento das dívidas contraídas pelos incompetemtes e irresponsáveis governantes!

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Edição Diária 17.Abr.2014

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