26/05/2012 atualizado às 19:31

Os portugueses, esses invasores...

A chegada de Afonso de Albuquerque a Ormuz, no século XVI, é, para os portugueses, motivo de exaltação. Mas a história omanita não é meiga com os nossos navegadores.

Margarida Mota, em Omã
23:07 Segunda feira, 27 de abril de 2009
Os portugueses, esses invasores...
Adil, o guia de serviço, no Forte de Nakhal
Adil, o guia de serviço, no Forte de Nakhal

"Portuguesa? Ah, parece que temos uns problemazitos entre nós..." A recepção ao Expresso no Forte de Nakhal, cerca de 120 quilómetros a sudoeste de Mascate, não foi, à primeira vista, calorosa. Adil, o guia de serviço, acabava de ser informado que uma portuguesa queria visitar aquele que é um dos fortes mais antigos de Omã e descaiu-se. Afinal de contas, nos livros de história omanitas, Portugal é descrito como um invasor que atentou contra o território.

No início do século XVI, Afonso de Albuquerque tomou Ormuz, estendendo posteriormente o domínio português a outros pontos da costa do território de Omã, incluindo Mascate. Precisamente na capital, erguem-se ainda hoje os fortes Jalali e Mirani, construídos pelos portugueses - no meio deles está o Palácio do Sultão Qaboos.

Não muito longe, no Centro Bait Al Baranda - um museu interactivo sobre a evolução de Mascate, desde a era da formação geológica dos continentes até à actualidade - é possível ouvir-se uma gravação em português da descrição que Afonso de Albuquerque fez daquela praça estratégica. Quanto à informação escrita que é disponibilizada aos visitantes, ela não é nada meiga com os nossos navegadores... "Os portugueses invadiram e ocuparam Mascate em 1507 A.D. Bombardearam a cidade e aterrorizaram a população. Foi só após o estabelecimento do estado de Ya'aruba que os omanitas recuperaram Mascate e a libertaram dos portugueses, em 1650 A.D".

Com este legado em mente, Adil não se conteve perante a presença de uma portuguesa no forte. A visita demoraria mais de uma hora, com Adil, sem qualquer tipo de ressentimentos, a revelar-se um anfitrião orgulhoso do património do seu país - o Forte de Nakhal é anterior à era islâmica. E na hora da despedida, o omanita voltou a ser genuíno: "Olha que eu estava a brincar... Volta sempre, minha amiga!"

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Os perversos caminhos da História
Paulo Pedroso (seguir utilizador), 4 pontos (Interessante), 0:42 | Terça feira, 28 de abril de 2009
Se Nuno Álvares Pereira expulsa os invasores castelhanos, é um herói indiscutível da nossa História.

Se Afonso de Albuquerque age como um invasor e conquista territórios alheios, é um herói indiscutível da nossa História.

De facto, "quem inventou o uniforme, deveras simplificou o combate".

Nada como estes pequenos "epis-ódios" militares para aprendermos um pouco o significado do relativismo cultural.
 
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O Passado e o Presente
M.Farid (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 1:41 | Terça feira, 28 de abril de 2009
Os Europeus têm construído,desde o século XII,impérios à custa da agressão militar a povos distantes usando todas as técnicas de terror:Cruzadas do Oriente(de 1096 a 1291),Cruzadas do Ocidente(de 1085 a 1250);agressão e ocupação da América do Sul pelos Espanhóis;sujeição à escravatura de povos africanos em larga escala e destruição das culturas africanas.Ocupação de zonas da Ásia e controle do comércio por meios violentos.
E tudo isto tem vindo a ser ensinado nas escolas esperando-se que os alunos sintam orgulho nestas "proezas" bélicas do passado.
Sem a preocupação de se formar o adequado espírito crítico dos alunos,o caminho está aberto à aceitação,pela população europeia, das modernas agressões cometidas pelo Ocidente no Médio Oriente,como coisa natural se tratasse.
Claro que não podemos mudar a História,mas podemos mudar a atitude perante a História.
 
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    Re: O Passado e o Presente    Ver comentário
Paulo Pedroso (seguir utilizador), 3 pontos , 2:18 | Terça feira, 28 de abril de 2009
    Re: O Passado e o Presente    Ver comentário
G.R.I.N.G.O. (seguir utilizador), 1 ponto , 11:09 | Terça feira, 28 de abril de 2009
    Re: O Passado e o Presente    Ver comentário
papadk (seguir utilizador), 1 ponto , 12:09 | Terça feira, 28 de abril de 2009
    Olha, oha!    Ver comentário
Paulo Pedroso (seguir utilizador), 2 pontos , 13:10 | Terça feira, 28 de abril de 2009
    Re: O Passado e o Presente    Ver comentário
M.Farid (seguir utilizador), 1 ponto , 13:53 | Terça feira, 28 de abril de 2009
    Re: O Passado e o Presente    Ver comentário
Paulo Pedroso (seguir utilizador), 2 pontos , 14:10 | Terça feira, 28 de abril de 2009
    Re: O Passado e o Presente    Ver comentário
M.Farid (seguir utilizador), 1 ponto , 15:04 | Terça feira, 28 de abril de 2009
    Re: O Passado e o Presente    Ver comentário
Paulo Pedroso (seguir utilizador), 2 pontos , 15:45 | Terça feira, 28 de abril de 2009
    Re: O Passado e o Presente    Ver comentário
Kurrusivo (seguir utilizador), 2 pontos , 8:33 | Terça feira, 28 de abril de 2009
    Re: O Passado e o Presente    Ver comentário
G.R.I.N.G.O. (seguir utilizador), 1 ponto , 11:01 | Terça feira, 28 de abril de 2009
As minhas sensações...
CV990 (seguir utilizador), 1 ponto , 8:51 | Terça feira, 28 de abril de 2009
Devido ao meu trabalho, todos os anos tenho uma reunião global num país diferente, normalmente são países em vias de desenvolvimento, mas nem sempre é assim. Tive 3 experiências distintas com 3 países "colonizados" por Portugal...em Osaka/Japão os japoneses compartilhavam comigo o facto de terem sido os portugueses quem trouxeram armas de fogo para lá...em Kinshasa/RDCongo os congolêses tinham muitas saudades dos portugueses porque eles eram honestos para com os locais...em Hyderabad/India os indianos agradeciam o facto dos portugueses terem trazido a banana e a malagueta para a culinária indiana...como vêm, reacções antagónicas mas uma coisa é certa...ninguém esqueçe o facto que os portugueses marcaram estas culturas, para o bem....e para o mal claro!
 
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A história escreve-se assim...
dedalo11 (seguir utilizador), 1 ponto , 9:05 | Terça feira, 28 de abril de 2009
De cada lado da trincheira encontra-se um inimigo. não é de admirar que jamais possamos considerar de herói a um qualquer Filipe de Espanha... E afinal, o que nos importa a opinião dos espanhóis?
 
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    Re: A história escreve-se assim...    Ver comentário
Miranda07 (seguir utilizador), 1 ponto , 11:09 | Terça feira, 28 de abril de 2009
NAÇÃO VALENTE NOBRE POVO
THUNDERSSTORM (seguir utilizador), 1 ponto (Normal), 10:36 | Terça feira, 28 de abril de 2009
É por sermos um nobre povo que esses fortes nunca foram deitados abaixo á semelhança de tudo o que era espanhol na Américado sul.

É por sermos um nobre povo que hoje somos benvindos a qualquer dos paises que ocupamos ao contrário dos espanhóis.

É por sermos um nobre povo que nunca pilhámos mais do que precisavamos ao contrário dos espanhois

É por sermos um nobre povo que hoje estamos na merda ao contrário dos espanhóis

Viva o nobre povo.
 
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OS ROMANOS FIZERAM O IMPERIO ROMANO
ajotaef (seguir utilizador), 1 ponto , 18:37 | Terça feira, 28 de abril de 2009
Na história lusitana existem antecedentes de invasões de cretenses, fenícios cartagineses e gregos.
OS ROMANOS INVADIRAM E COLONIZARAM A PENÍNSULA IBÉRICA…BLA…BLA
A religião muçulmana espalhou-se pelo mundo menos por conversão e QUASE QUE EXCLUSIVAMENTE por conquista territorial.
 
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Como usurpar sem ocupar.
PEATRAS (seguir utilizador), 1 ponto , 19:01 | Terça feira, 28 de abril de 2009
Houve de facto tempos em que os reinos tinham de competir militarmente pelo acesso aos bens. Riqueza que permitisse aumentar o poder militar, garantir a indepêndencia e aumentar a dimensão do espaço de dominio e influência. Conquistar territórios estratégicos para o acesso ás riquezas e controlar as rotas do comércio internacional era o objectivo das potências da época.
Para isso era inevitável o recurso ás guerras de ocupação e subjugação de outros reinos por meios militares.

Hoje, os meios utilizados são mais subreptícios e indirectos. Mais eficaz e duradouro é sem dúvida a subjugação económica dos estados. Conceder crédito em valores que excedem em muito a capacidade de cumprimento. A prazo, o endividamento condiciona a acção governativa obrigando a aumentos dos impostos que estrangulam as economias, ficando os estados endividados reféns dos seus credores.
Os credores garantem acesso ao controle das instituições financeiras locais e, através delas, aos sectores estratégicos condicionando os líderes políticos.

Este paradigma levou os EUA á condição de única superpotência global. Entretando, a crise que vivemos parece trazer uma alteração dos processos e uma aparente maior participação do resto do mundo na tomada de decisões.

Mas a bolha do sub-prime, a última de uma sucessão de bolhas especulativas a rebentar, fez os activos financeiros espalhar-se pelo globo âncorados em imobiliário em território e sob jurisdição dos EUA.

Eis como usurpar sem ocupar.
 
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Basta ler as crónicas
luismendonça (seguir utilizador), 1 ponto , 19:34 | Terça feira, 28 de abril de 2009
Francamente, não percebo tanto alarido. Basta ler os clássicos, desde a Crónica da Conquista da Guiné até à Peregrinação de Fernão Mendes Pinto. Aí estão os dois lados da Expansão : aquele os portugueses gostam de exaltar mas também o outro que preferem esconder.
 
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