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Os Idosos

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As formas de tratamento dos vários grupos etários, praticadas na comunicação social, e sobretudo na área televisiva, denunciam mecanismos de mentalidade que simultaneamente preocupam, irritam e divertem. Numa fase em que à básica tripartição do percurso do homem em infância, maturidade e velhice, sucedeu um espectro de tons e subtons, os anos que cumprimos enviam-nos fatalmente a uma categoria precisa, mas nem sempre fácil de tolerar. Convivemos agora de facto com a primeira infância, e a segunda infância, com a pré-adolescência, e a adolescência, com a jovem adultícia, e a adultícia tout court, com a meia idade, e a terceira idade, e se se considerar o notório alargamento da expectativa de vida, em breve com a quarta, a quinta, e as mais que desembocarem aos pés de Matusalém.

Algumas reacções emotivas manifestam-se no entanto perante a imposição do carimbo de "idoso", tão generalizada hoje em dia como a de "menino", ou a de "jovem", mas que começa a suscitar o afastamento dos que se vêem embrulhados no rol. Menos frequentemente rotulados de "sexagenários", de "septuagenários", ou de "octogenários", os visados levantam agora a cabeça, insurgindo-se contra a humilhante adjectivação. Ao fim de contas a clássica palavrinha "velho", antipática para os comuns, mas dignificante na sua recusa de eufemismos, marca ainda um estatuto que ameaça perder-se com o manhoso certificado de inimputabilidade, atribuído aos que teimam em não se envergonhar de ascender nos degraus da existência. Bem mais civilizadamente, e de modo exemplar, os nossos vizinhos peninsulares opõem a presumível sabedoria dos "maiores" à ignorância provável dos "menores" que os precedem na carreira. E entre a "lusa gente" o "velho" apresenta-se por tradição "de aspeito venerando", a exortar à prudência, e afirmando-se por isso inimigo de um alegre "progresso", atitude que, não sendo em princípio louvável, não deixará de conter uma certa pitada de pragmatismo.

"Idoso" como vocábulo identificante da senectude, esse sim, deverá expurgar-se do léxico "jornalístico", uma vez que "idosos" e "idosas", posto que mais ou menos, se revelam todas as criaturas. "Velho" por outro lado regista a seu favor uma espécie de consenso, muito ao invés aliás de "ancião", substantivo corrente nos romances baratos, e com o qual amiúde se designam, em nosso foro íntimo, os eternos pais da pátria, a cair da tripeça, que não desistem de meter o bedelho na res publica. Sentindo-se irremediavelmente empurrados para os múltiplos desconfortos, implícitos numa tal nomenclatura, os meus amigos da casa dos quarenta, aquela em que as pessoas são o que são, despojadas de qualificativo que as minimize, aguardam uma saudável alvorada. Romperá ela mais tarde, ou mais cedo, não se duvide, quando se reconhecer o inalienável direito à passagem do tempo sobre nós, e na isenção de qualquer castigo verbal, que por isso se deva sofrer. Despachada a etiqueta para o arquivo dos insultos reaccionários, e a agregar-se aos de "escarumba", de "maricas", de "ceguinho", de "gentinha", e de congéneres, admite-se que venham assim a escapar os velhos de morrer epidemicamente sós.

Mário Cláudio


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Os idosos ... Reflexões !
Um bem haja pela sua agenda desta semana com um sentido muito sóbrio de encarar um problema na nossa sociedade onde a indiferença é salientada de uma forma absurda e triste ... A miséria afectiva é tão ou mais grave do que a miséria material, pois tira do ser humano a sua condição de homem participante de sua espécie, porque conduz o homem à mesquinhez, à solidão...
O respeito pelo próximo que, pelo idoso que com a sua experiência onde cada rosto... cada ruga tem uma história de vida para contar ...

As audiências marcam uma notícia e esta é sol de pouca dura ... o superficial é o que está a dar ...
Assuntos destes deviam ser aprofundados e o debate sensibilizador, esclarecer ... mas mais uns dias e esquece-se... A sociedade no todo também tem um papel importante... a realização de objectivos comuns e quando esses objectivos comuns sofrem rupturas, as interacções humanas e as medidas das relações inter-pessoais diminuem também... e depois existem os fenómenos externos que contribuem também... que transformam a sociedade humana ...

Não se pode escamotear o facto do envelhecimento em Portugal é uma realidade e ser uma dos países mais envelhecidos da Europa.

Abracemos esta causa ... Deixar o egoísmo de lado ... Elevando a ética e o valor ...Porque filho é ... Pai será !?...
E para a velhice caminhará!
Será que as pessoas não param no tempo para pensar e perguntar ... O que me espera na minha velhice?! ...
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