Coragem, coragem mesmo, para mudar algo no país a respeito da produtividade e da relação desta com os feriados seria se assumíssemos de facto a laicidade do Estado acompanhado de um discurso construtivo e estimulante.
Passos Coelho disse, como se diz a uma criança, que nos 'deixemos de pieguices' sobre feriados e Carnaval e que aprendessemos mais e a fazer melhor. Mesmo perante a criança, neste caso nós, o povo infantilizado, a aprendizagem, o ensino, faz-se por encorajamento, pelo estímulo positivo, precisamente porque queremos melhorar, sempre capacitando o sujeito em acção. Os manuais de psicologia comportamental infantil dizem que a uma criança diz-se: 'sim, mas...' e nunca: 'não, não sejas piegas!'
A incoerência destas medidas sobre os feriados e a real infantilidade do homem que governa este país está na incapacidade de realmente fazer a mudança.
O descanso e o lazer, a retemperança das energias, seja junto das familias, ou dos amigos, podem revelar-se fontes positivas para a produtividade e para o encontro de soluções boas para os desafios que hoje se nos colocam. Por isso, haja tempo para descanso e para a recuperação de energias construtivas.
Faça-se por exemplo como em países como o Reino Unido que, na sua laicidade (e não laicismo - que é um outro fundamentalismo), agrupa um longo fim de semana de quando em vez, e que sabe mesmo bem, sem quebrar rotinas, ou descontinuidades na produtividade.
Ao invés de decretar os feriados que ficam e os que não ficam, criando uma maior insatisfação num povo já quebrado com tanta austeridade, e criando tensões desnecessárias entre Estado e Fé, através de um discurso paternalista que coloca os filhos mais cumpridores de castigo, seria mais simpático e construtivo se Passos Coelho e a sua trupe adoptassem discursos de incentivo e entusiasmo, mesmo quando todos sabemos que temos de fazer grandes esforços e algumas profundas mudanças.
Sem querer infantilizar Passos Coelho, sugeria que consultasse um psicólogo comportamental para o ajudar a si e aos que constituem o seu governo a promover discursos construtivos e a transmitir medidas de mudança sem parecer o padrasto do castigo e dos trabalhos forçados.