26/05/2012 atualizado às 19:21
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Os feriados e a infantilização do povo

Faranaz Keshavjee (www.expresso.pt)
12:38 Quinta feira, 23 de fevereiro de 2012

Coragem, coragem mesmo, para mudar algo no país a respeito da produtividade e da relação desta com os feriados seria se assumíssemos de facto a laicidade do Estado acompanhado de um discurso construtivo e estimulante.

Passos Coelho disse, como se diz a uma criança, que nos 'deixemos de pieguices' sobre feriados e Carnaval e que aprendessemos mais e a fazer melhor. Mesmo perante a criança, neste caso nós, o povo infantilizado, a aprendizagem, o ensino, faz-se por encorajamento, pelo estímulo positivo, precisamente porque queremos melhorar, sempre capacitando o sujeito em acção. Os manuais de psicologia comportamental infantil dizem que a uma criança diz-se: 'sim, mas...' e nunca: 'não, não sejas piegas!'

A incoerência destas medidas sobre os feriados e a real infantilidade do homem que governa este país está na incapacidade de realmente fazer a mudança.

O descanso e o lazer, a retemperança das energias, seja junto das familias, ou dos amigos, podem revelar-se fontes positivas para a produtividade e para o encontro de soluções boas para os desafios que hoje se nos colocam. Por isso, haja tempo para descanso e para a recuperação de energias construtivas.

Faça-se por exemplo como em países como o Reino Unido que, na sua laicidade (e não laicismo - que é um outro fundamentalismo), agrupa um longo fim de semana de quando em vez, e que sabe mesmo bem, sem quebrar rotinas, ou descontinuidades na produtividade.

Ao invés de decretar os feriados que ficam e os que não ficam, criando uma maior insatisfação num povo já quebrado com tanta austeridade, e criando tensões desnecessárias entre Estado e Fé, através de um discurso paternalista que coloca os filhos mais cumpridores de castigo, seria mais simpático e construtivo se Passos Coelho e a sua trupe adoptassem discursos de incentivo e entusiasmo, mesmo quando todos sabemos que temos de fazer grandes esforços e algumas profundas mudanças.

Sem querer infantilizar Passos Coelho, sugeria que consultasse um psicólogo comportamental para o ajudar a si e aos que constituem o seu governo a promover discursos construtivos e a transmitir medidas de mudança sem parecer o padrasto do castigo e dos trabalhos forçados.

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Os feriados e a infantilização do povo!
Runaldinho (seguir utilizador), 2 pontos , 13:19 | Quinta feira, 23 de fevereiro
O Carnaval está apara os países latinos, um pouco como o Halloween para os anglo saxónicos, ainda que a sua génese possa ser diferente, que é dia feriado em grande parte deles.
O Carnaval em Portugal nem devia ser tolerância, mas sim feriado. Está muito mais arreigado ás actuais manifestações populares dos mais jovens e mesmo de alguns velhos "jardinistas boémios", do q a maioria dos restantes feriados q se comemoram por cá. É isso q deve ser ponderado como fenómeno social e não o inverso. Estas coisas não podem ser imutáveis.
Sou o primeiro a apoiar o fim dos feriados da treta, alguns deles até religiosos, q ninguém goza por ser um dia "Santo", mas apenas porque lhes dá jeito descansar ou ir ás compras. Tirando o Natal, a Sexta Feira Santa e o dia 8 de Dezembro, dia da Imaculada Conceição, considerada a Padroeira de Portugal, não há razão para haver mais nenhum feriado religioso. E mesmo esses, não estarão de todo na linha da tradição judaico cristã.
Para mim e para a maioria das pessoas da minha geração, o 5 de Outubro e o 1 de Dezembro não nos dizem nada.
Daqui a 30 anos, o 25 de Abril enquadra-se nesse mesmo universo.
Há datas q se devem comemorar durante um determinado período, correspondendo ao tempo de vida terrena daqueles que lutaram para que isso acontecesse, independentemente do cariz político ou não da efeméride. Fora disso, extingue-se o feriado, sob pena de daqui a meia dúzia de séculos com tanta efeméride, não se trabalhar mais.

 
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'Os feriados e a infantilização do povo
jpafonso (seguir utilizador), 2 pontos , 16:39 | Quinta feira, 23 de fevereiro
Saúdo a sua coragem. O clima entre Portugueses continua a ser tenso com aqueles que vêm em cada medida, uma insensibilidade, e outros, uma necessidade. Prevejo que haverão vários que a atacarão. E no entanto, quero saudar o tema ou a sugestão que trouxe para cima da mesa, mais importante que a própria questão dos feriados: o uso da psicologia na governação. Esta não está aliás desarreigada da mesma: qualquer político com sucesso é um psicólogo nato. Mas porque é que todo o brilhantismo da fase das pré-eleições e eleições, de sedução ao eleitorado desapareceu? Hoje é frequente ouvir dizer que Passos Coelho não é um orador ou uma pessoa que se saiba expressar... um pouco como a fama de Cavaco Silva que ganhava votos quando estava calado. Tretas! Não foi isso que me pareceu ver antes das eleições. Dizer isso é o mesmo que dizer que na altura ele devia ensaiar tudo para parecer o que não é.

Inclino-me mais para o síndroma de chefe, a ideia de que "não preciso explicar ou seduzir mais, porque as pessoas vão fazer o que eu mandar e logo, logo, vão ver que vai dar tudo certo". É um caminho, mas muito arriscado: basta que o seu eleitorado interiorize prazos que não são os reais, tal como foi fatal a Sócrates, a implantação da ideia de que as medidas esgotavam-se em cada PEC. A sugestão de uma melhor compreensão da psicologia para efeitos de governação é boa. E nisto, lembro-me de ramos de economia dedicados aos efeito dos comportamentos individuais na mesma.
 
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Atenção à linguagem...
kavkaz (seguir utilizador), 1 ponto , 14:32 | Sábado, 3 de março
Independentemente da opinião que V.Exa. possa ter sobre o Governo português e o seu Primeiro-Ministro entendo que não deve utilizar em artigo publicado no "Expresso" uma linguagem pouco digna de uma senhora com pretensões a emitir opiniões sérias. É o caso da expressão que utilizou "...se Passos Coelho e a sua trupe adoptassem..."

Penso que se esqueceu que está a insultar os governantes e o Povo português que elegeu o Dr. Passos Coelho para governar Portugal em vez de eleger outros que V.Exa. mais aprecie. Tem de respeitar os portugueses e as suas escolhas. Não gosta deles? Deve ter mais alternativas que nós próprios. Utilize-as! Mas não insulte a inteligência dos portugueses. V.Exa. não sabe mais que todos eles! Esteja mais atenta ao tipo de linguagem de circo que utiliza. A Democracia portuguesa não o merece. Obrigado.
 
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