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Os conselhos do "homem mais feliz do mundo"

Matthieu Ricard trocou uma carreira científica de topo por uma vida de espiritualidade, meditação e ajuda humanitária nos Himalaias. Quarenta anos depois, o seu cérebro foi alvo de estudo e é considerado o homem mais feliz do mundo. Fomos descobrir o seu segredo.
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Matthieu Ricard foi a grande atracção do II Congresso Internacional da Felicidade, em Madrid
Matthieu Ricard foi a grande atracção do II Congresso Internacional da Felicidade, em Madrid / Nuno Botelho

Filho do filósofo francês Jean-François Revel, Matthieu Ricard cresceu entre a nata da nata dos intelectuais da Paris, como Stravinsky e Cartier-Breson. Doutorou-se em biologia molecular e trabalhou com um nobel da Medicina. Mas, aos 26 anos, percebeu que isto não era suficiente. Que os génios que o rodeavam podiam ter cérebros iluminados, mas isso não aumentava as suas qualidades humanas.

Trocou então a ciência pela espiritualidade e rumou aos Himalaias. Estudou com alguns dos maiores guias do budismo e hoje é tradutor e braço direito de Dalai Lama. Pelo meio arranja ainda tempo para fotografar, escrever livros e com isso angariar dinheiro para o projeto humanitário Karuna Shechen, que ajuda mais de 90 mil pessoas (clique aqui para saber como pode colaborar).

Agora, com 65 anos e mais de 10 mil horas de meditação, voltou à ciência como objeto de estudo e foi monitorizado com 256 sensores colados na cabeça, que mediram a actividade do córtex pré-frontal do seu cérebro. A escala de felicidade, criada para a investigação da Universidade de Wisconsin e testada em centenas de outras pessoas, ia de um mínimo de felicidade, +0.3, ao máximo de -0.3. Matthieu Ricard atingiu -0.45. Em suma, em estado contemplativo, o monge conseguiu um equilíbrio entre emoções jamais visto, com um claro desvio para as positivas, como o entusiasmo e a alegria, que anulavam as negativas, como o medo e a ansiedade. Foi considerado o homem mais feliz do mundo.

Com traje budista, ténis desportivos e sorriso aberto, encontrámo-lo no II Congresso Internacional da Felicidade Coca-Cola, em Madrid.

Cinco perguntas a Matthieu Ricard:


 Foi considerado o homem mais feliz do mundo. Qual é o seu segredo?
(risos) Não, isso não é bem assim.Mas posso dar alguns conselhos sobre as pessoas em geral. Primeiro há que se reconhecer que quer ser feliz. Acima de tudo não devemos negligenciar as nossas emoções, o nosso interior. Egoísmo, arrogância, agressividade são tudo sentimentos que nos fazem sentir mal, que controlam as nossas mentes e impedem a nossa felicidade. Não são sentimentos que nos sejam impostos, nós somos os responsáveis por eles e toda a gente sabe o mal que nos fazem. A verdade é que nós podemos treinar a nossa mente. Não interessa o que se passa cá fora, o nosso controlo aí é muito limitado. Já lá dentro só depende de nós.

Temos de pôr de lado os prazeres mundanos para sermos felizes?
Não há mal nenhum no prazer. Mas o prazer não tem nada a ver com felicidade. Imagine por exemplo um banho quente. Se viermos gelados da rua e nos pusermos debaixo de água quente, sabe maravilhosamente. Mas se ficarmos lá 24 horas, é insuportável. Tal como a música alta. Um bocadinho é bom, 24 horas pode ser tortura. Aliás, é um dos métodos usados em Guantanamo. Viver apenas de prazer deixa-nos exaustos. A felicidade é uma forma de estar na vida, não é apenas uma sensação momentânea.

Durante décadas, muitos psicólogos defenderam que nos devemos focar mais no "eu". Já você tem uma visão totalmente contrária. Afinal quem tem razão?
Essa é uma visão muito estúpida. É óbvio que devemos pensar em nós próprios, mas não devemos passar o dia focados no "eu, eu, eu". Que forma mais aborrecida de viver! O individualismo e o egoísmo destroem a felicidade. Essa ideia de que primeiro vou tomar conta de mim e depois, se me sentir bem, é que me dedico aos outros, não funciona. É uma atitude em que todos têm a perder. Parte de treinar a mente está em amar os outros, preocuparmo-nos com os outros, dar aos outros e aí a felicidade será conjunta. Dar e receber é uma bola de neve. Mas atenção: preocuparmo-nos connosco, gostarmos de nós, é importante. Só não pode é ser feito de forma narcísica.

Estamos no meio de uma profunda crise económica. Ainda há pouco tempo um homem suicidou-se em frente ao Parlamento grego por causa da falta de dinheiro. Nestas condições, como é que podemos ser felizes?
Se ligarmos a felicidade exclusivamente ao dinheiro nunca conseguiremos. Há muitas coisas supérfluas nas nossas vidas. Coisas de que não precisamos. Passamos a vida a tentar ter essas coisas materiais e se não as temos sentimo-nos miseráveis. Mas realmente precisamos delas? De tanto luxo?

E quando se deixa de ter dinheiro para pagar as contas? Não é uma questão de luxo...
Viver de forma mais simples não significa que tenhamos de voltar a viver na floresta. Mas não podemos nós mudar o estilo de vida e viver com menos? Essenciais são a amizade, a paz, a sensação de ter o coração cheio, de que cada momento vale a pena ser vivido. Está mais do que estudado - e atenção que não falo de ensinamentos budistas - que quanto maior o nível de consumismo, menor é a felicidade que se alcança.

(Leia a entrevista completa na próxima edição da Revista do Expresso, nas bancas a partir de sábado, dia 28 de abril)

 




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Um ser humano exemplar
Tenho por este homem a maior admiração e uma grande gratidão. Li (e reli) há muitos anos (15/16/17?) o livro q mais tarde foi traduzido com o título "O monge e o filósofo", constituido por conversas entre ele e o pai (J. François Revel, filósofo bastante conhecido -sobretudo "Nem Marx nem Jesus" - por quem não tinha nem tenho nenhuma consideração especial). Foi a partir dele q comecei a interessar-me pelo budismo e entendê-lo um pouco. Nada me admira q a medição da actividade do seu cortex pre-frontal permita qualifica-lo como imensamente feliz - isso mesmo é o q se poderia esperar. Trata-se de um ser humano de uma qualidade excecional e q desde os 26 anos se aperfeiçoa. Medo, ansiedade, raiva, tristeza, esses sentimentos não se alojam, não têm cabimento num ser q vive em unissono com tudo o q é vida e q pela meditação vai aprofundando sempre essa adesão q se traduz em felicidade. As palavras de M. Ricard valem porque os seus actos, em cada momento da vida, são conformes com elas.E a felicidade de Ricard é-me grata - faz-me sentir, também a mim (embora isso seja difícil de explicar ) só por isso, de certo modo, feliz porque sei (verdadeiramente sei) que a felicidade é possível e q a felicidade dos homens depende de pouco.
Penso que a felicidade é algo
bem pessoal. E poucos de nós tem acesso à verdadeira felicidade, que foge do padrão uniformizado da nossa cultura, em que sentir prazer é fazer sexo pela eternidade, nas compras para acalmar o estresse, na roupa da moda, no restaurante de determinado "chef", no acesso à internet e assim por diante. Sinto que ser feliz, em alguns momentos, é estar certo e de acordo consigo mesmo, ainda que os outros pensem o contrário. Talvez ser feliz é estar sereno dos objetivos, mesmo que ínfimos. É ser como sou, não querendo ser como o outro, ou em razão de agradar e ser admitido a determinado círculo. Nas coisas simples ou nas complexas, a mesma admiração pelo conhecimento, pela sabedoria, pelo novo. Rio Grande
Os conselhos do "homem mais feliz do mundo"
Só para que conste, reproduzo duas respostas dele:

P - Estamos no meio de uma profunda crise económica. Ainda há pouco tempo um homem suicidou-se em frente ao Parlamento grego por causa da falta de dinheiro. Nestas condições, como é que podemos ser felizes?

R - Se ligarmos a felicidade exclusivamente ao dinheiro nunca conseguiremos. Há muitas coisas supérfluas nas nossas vidas. Coisas de que não precisamos. Passamos a vida a tentar ter essas coisas materiais e se não as temos sentimo-nos miseráveis. Mas realmente precisamos delas? De tanto luxo?
 
P - E quando se deixa de ter dinheiro para pagar as contas? Não é uma questão de luxo...

R - Viver de forma mais simples não significa que tenhamos de voltar a viver na floresta. Mas não podemos nós mudar o estilo de vida e viver com menos? Essenciais são a amizade, a paz, a sensação de ter o coração cheio, de que cada momento vale a pena ser vivido. Está mais do que estudado - e atenção que não falo de ensinamentos budistas - que quanto maior o nível de consumismo, menor é a felicidade que se alcança.

Re: Os conselhos do "homem mais feliz do mundo"
Eih!
O homem mais feliz do mundo?!!
Mas o meu cérebro não foi alvo de estudo!!!
Re: Os conselhos do
A psicologia auto destrói-se.
Admiro bastante o Monge e a sua forma de estar e pensar, repúdio e tenho pena de mais um "estudo científico" baseado numa "escala de felicidade" que só vem retirar, ainda mais, crédito à psicologia, pois estes parâmetros de avaliação são extremamente redutores e a medição de um sentimento e algo que não se pode equiparar nem qualitativa nem quantitativamente, pois existem uma infinidade de variáveis que é impossível controlar. Estes estudos valem o mesmo que os das revistas de sala de espera do dentista.
Re: A psicologia auto destrói-se.
Felicidade
Bom desculpem a minha sinceridade e sem querer ofender ninguém mas neste mundo actual para se ser feliz só há três hipóteses , ser acomodado, ser burro ou então abdicar de todos os confortos
Não podia estar mais de acordo ao ler...
... Como faz faz tão bem meditar sobre isto é o antídoto de tudo o que lemos e vemos ... onde se resume tudo ao dinheiro!...
A consciência da colectividade e da Universalidade ... de encontro ao outro.

Cultiva-se demasiado a Prosápia ... e a ilusão...o "Sono da Humanidade"... Não nos devemos prender muitas pelas abstracções .. O Homem precisa de orbitar em volta do problema à semelhança dos objectos espaciais que orbitam à volta da terra a uma distância exacta entre atracção gravitacional terrestre e a liberdade do espaço exterior ... dentro do problema monetário e com uma perspectiva mais clara das estrelas... os grandes ensinamentos de todas as épocas ... descrever círculos em volta da nossa «terra» com os olhos bem abertos e os instrumentos de observação bem sintonizados ... porque o dinheiro nas economias mundiais não é mais que um instrumento de poder, de ilusão ...

A felicidade reside toda na simplicidade de ser ......" o espírito é para ver o que é verdadeiro; os sentimentos são para compreender o que é bom"...
You can change the way you feel
Sou fã deste homem, desde há muitos anos quando estudei um pouco de nepalês por razões profissionais e por acréscimo me aprouve a maneira budista de viver.

Gostei de ler aqui como, mais uma vez, as respostas dadas por ele batem certo com os métodos apregoados pela psicologia clínica/psiquiatria ocidental para casos de extrema ansiedade, depressão, fobias, etc. Ver p/ex David M. Burns, MD, emérito psiquiatra americano, e cognitive behavioral therapy.

Imaginem este homem, "cientificamente" considerado (?) como o mais feliz do mundo, a comer o melhor pastel de nata do mundo. No que é que dá ? Nirvana !
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