20 de junho de 2013 às 13:51
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Os alemães têm de pagar a crise

Paulo Gaião

Puseram os alemães  a produzir a seguir à II Guerra Mundial para se esquecerem de Hitler. E deu um enorme resultado. Se se fala hoje com um alemão do seu trabalho é um homem feliz. Se se tenta falar de Hitler embatuca.    

Hoje os alemães são um povo pacífico, simpático, moderno mas não toleram erros nas contas nem dívidas. Muito menos que lhe toquem no valor do dinheiro.

Mas os alemães têm de reflectir 

Austeridade levou Hitler ao poder  


Uma solução para a crise são os eurobonds. Fala-se cada vez mais que os alemães se deviam lembrar hoje do que passaram. Tem fundamento? Parece ter. A guerra é outra mas o busílis é o mesmo.  Os alemães embarcaram na I Guerra porque estavam bem preparados para ela. Como se sabe foi uma carnificina. Os aliados vingaram-se a seguir, esmifrando-os com as dívidas de guerra.

Ora, salvaguardando distâncias óbvias, também nós embarcámos  numa guerra à doida do consumo com dinheiro a juros baixos que  não era nosso. Temos a vantagem de não termos morto ninguém. Só demos mesmo cabo de nós quando trocámos de  carro de dois em dois anos e saímos de  T2 para T5.  

Hoje, para nos salvarmos da bancarrota, os alemães  carregam-nos  forte nos juros, nas "rendas excessivas" (para usar um termo em voga) sobre o  dinheiro que nos emprestam. Temos de pagar tudo, exigem-nos austeridade e não crescemos economicamente.   

Na Alemanha, dois anos a pão e água, de 1930 a 1932, precisamente com o plano de austeridade do chanceler Bruning (corte do crédito e diminuição dos salários) para continuar a pagar as indemnizações da I GUerra bastaram para  Hitler chegar ao poder em eleições com 14 milhões de votos (37,5%).  

Por aqui, por mais brandos que sejam os costumes, nunca se sabe o que pode acontecer (afinal tivemos as guerras liberais e o estado de sitio nos anos 1920). E da dura Grécia nem se fala. Bem como da Espanha com "ganas" de não se deixar resgatar.    

O problema é os alemães não percebem que um Fuhrer pode ter muitas faces e nacionalidades. E o problema ainda maior, para  voltar ao princípio, é que  embatucam na história anterior a 1945. Hoje, umas lições a explicar-lhes que é melhor  pagarem a crise para não despertarem  génios do mal pela Europa fora, resolvia  o atual bloqueio europeu  do " mais um pacote de austeridade, mais um pacote de resgate". Por favor, venham os eurobonds em que as nossas dívídas passam também a ser responsabilidade dos alemães. É imoral? Talvez um pouco (mas, afinal, é só dinheiro). Mais imoral seria não evitar um novo apocalipse histórico.         

O fantasma da inflação   


Fabricar notas é a coisa mais fácil do mundo e podia ser outra solução para resolver a crise financeira. Naturalmente criando inflação. Como diz Paul Krugman a inflação pode ser a solução para a atual crise.  As dívidas encolhiam automaticamente.  Quem tem muito dinheiro naturalmente que ficaria com menos. E os alemães seriam os mais afectados. Mas a economia aquecia.

Só que a inflação é um fantasma quase tão negro para os alemães como  Hitler. Também para pagarem as brutais indemnizações da I Guerra Mundial, impostas pelos aliados, imprimiram moeda muito acima da economia real  e causaram uma subida gigantesca de preços no país. A crise de 1929 fez o resto. Hitler invocou este fantasma. Quando hoje o BCE segue uma política dura de controlo da inflação, são os traumas alemães que estão por detrás. 

 


Comentários 8 Comentar
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Perigo real
Bom ponto de vista. Austeridade a mais, pode fazer aparecer populismos perigosos.

Dificilmente vejo a Espanha a aceitar, impávida e serena, situações de austeridade que alterem o seu modo de vida, alegre, expansivo, barulhento e também gastador.

São decisões que têm que ser muito bem medidas, ver todas as consequências e depois decidir-------------
Os alemães têm de pagar a crise
"O primeiro-ministro italiano acusou a França e a Alemanha de terem contribuído para a crise, mas sublinhou que esta deve estar a aproximar-se da reta final". Cá dentro a culpa era toda de Sócrates e a resolução era a sua saída. Nove meses depois o que verificamos é que foi pior a emenda que o soneto. No entanto sempre direi que partilho da opinião de Rui Rio quando diz, que não se deve a uma só pessoa e a um só partido e acrescentaria ainda a um só País e a um só Continente. Se uns foram irresponsáveis em gastar o que não produziam e não tinham, os outros não o foram menos ao emprestarem para vender, sabendo de antemão que muito dificilmente poderiam pagar. Os submarinos são um exemplo disso, mas muitos mais poderiam ser dados. Antes o banco só emprestava a quem apresentasse garantias, com bens ou fiador, mas nesta euforia liberal passou a não se acautelar e por isso mesmo hoje está a ficar a braços com as casa que lhe estão a entregar.

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Olha lá, ó animal...
"Ora, salvaguardando distâncias óbvias, também nós embarcámos numa guerra à doida do consumo com dinheiro a juros baixos que não era nosso. Temos a vantagem de não termos morto ninguém. Só demos mesmo cabo de nós quando trocámos de carro de dois em dois anos e saímos de T2 para T5."

Falta por ti, e por toda a classe política. A maioria dos portugueses não tem culpa. Assim como não tem culpa das PPP's ruinosas, BPN's, Freeports, Sobreiros, Submarinos, etc.

Essa do "nós gastámos" tem muito que se lhe diga. Nós não!! Fala por ti. Eu não gastei. Portanto, seguindo o teu raciocínio, TU QUE PAGUES A CRISE, animal!
Piadão
Piadão... "nós isto", "nós aquilo"... falar dessa forma é transformar uma responsabilidade individual numa consequência colectiva... e um outro piadão é "nós" mudar-mos de automóvel de dois em dois anos (carro é puxado por Bois...) e mudar de T2 para T5 sem sequer saber se "voçês" podiam pagar, mas a culpa é dos Alemães e já é há mais de 80 anos... e raios-parta o ano de 1929...
Pela sua e demais irresponsabilidades de outros em não saber distinguir necessidade de levianidade já em fase adulta, é uma ofensa ao mínimo da dignidade intectual de vários leitores...
Re: Os alemães têm de pagar a crise
Que choradinho mais miserável, que forma redutora de apresentar as coisas, "os alemães que paguem a crise", que patetice... É incrível como é que o Expresso apresenta aqui um disparate destes. Incrível. E nem sequer toca no "maior" pormenor desta história toda, que é a moeda única. Puro lixo.

Ah, e só mais uma coisinha: não foi a inflação que levou o Hitler ao poder na Alemanha, a hiperinflação aconteceu nos anos a seguir à guerra. Hitler sobe ao poder na sequência do crash de 1929, quando os americanos exigiram o pagamento das dívidas aos alemães e quando o governo alemão se recusou a abandonar o padrão-ouro e desvalorizar a moeda, embarcando numa onda de austeridade que gerou exactamente o contrário disso que descreve: deflação.
"OS MARMANJÕES QUE PAGUEM"
Sem dúvida que o país está muito endividado,mas as negociatas dos governantes é que rebentaram o país,não foi o povo trabalhador.As dívidas de particulares estão em mais de 90%,ligadas ao crédito á habitação que também significa poupança e sacríficio,pois devido à falta de habitação no mercado do arrendamento por omissão legislativa dos sucessivos governos depois de 25 de Abril,as pessoas eram empurradas para a compra.Eu acredito que esta omissão não era inocente,pois quem mais ganhava neste negócio era a banca,para onde iam e de onde vinham muitos dos governantes,pelo estavam no fundo a cumprir o calendário dos seus patrões.A maior parte dos portugueses não trocavam de carro de 2 em 2 anos,isso também é das tais mentiras para lavar consciências de quem impõe medidas de chicote na mão à ordem de patrões da troika.Portanto a análise do autor é muito superficial e trapaceira...As grandes dívidas de Portugal,estão muito ligadas às jogadas(BPN;EDP energias,Submarinos,PPPs,etc...grandes derrapagens,clientelismo partidário,corrupção vária.)Não ver isto é cumprir calendário encomendado,que é o que muitos jornalistas fazem,como fazedores de opinião para se moldarem os espíritos da população a serem aplicadas depois certas e determinadas políticas...O Durão quando fugiu já gritava como um bezerro,que isto estava de tanga e então moldou logo muito espírito.Mas a tanga foi para os outros,pois os bons fatos não lhe faltam.Este é um país de mentira e de oportunistas que sacrificam o povo.
Parabens ao autor
parabens, por não perceber nada de nada do que escreve.

grécia portugal e irlanda estão "resgatados" por estupidez pura e simples dos seus governos e dos seus povos que votaram anos a fio em imbecis ... que prometiam o que não podiam nem tinham o direito de dar. recuem à campanha socrates manuela ferreira leite. e relembrem qual era a principal preocupação da senhora!!! depois relembrem em quem votaram.... e vejam o resultado, e pendem de quem é a culpa

agora os outros que pagem a nossa idiotice??? so rir....

http://sacodenavalhas.blo...

UAU
Este é provavelmente o melhor que já li acerca da crise desde o seu início em 2008...

Parabéns, muito bem, muito bem!!!

Não falta aqui nada, e não há aqui nenhuma "lavagem cerebral" ou distorção da realidade.

Venham mais destes, o sr Jornalismo agradece!
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