21 de abril de 2014 às 1:39
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Organismo das Nações Unidas tira tapete ao dólar

O relatório da UNCTAD, o organismo de conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento, com sede em Genebra, vem colocar, a duas semanas da reunião do G20, a necessidade de uma estratégia de substituição da nota verde americana como divisa internacional.

Jorge Nascimento Rodrigues (www.expresso.pt)
A nota verde americana poderá estar a perder terreno A nota verde americana poderá estar a perder terreno

O relatório de 2009 da UNCTAD - Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento, criada em 1964 - divulgado esta semana vem colocar em cima da mesa a discussão de uma estratégia de substituição do dólar como divisa internacional, face à sua fragilidade, à sua desvalorização deslizante (o dólar está a valer menos de 70 cêntimos de euro e o ouro aproxima-se dos 1000 dólares a onça) e ao risco de um colapso, que geraria um tsunami financeiro mundial.

Os analistas classificaram este relatório como "radical". Preto no branco aponta que há "uma fraqueza no sistema internacional de reservas por usar uma divisa nacional como activo de reserva".

O relatório da UNCTAD, que pode ser lido aqui , é mais uma voz que se vem juntar a outras - como as de responsáveis dos BRIC desde o primeiro trimestre deste ano, e nomeadamente do governador do banco central chinês (Banco Popular da China) num documento de Março de 2009, e como a do presidente francês Sarkozy recentemente - a apenas duas semanas da reunião do G20 em Pittsburgh, nos Estados Unidos. Mas acarreta o peso de ser a primeira vez que uma grande instituição internacional coloca abertamente na mesa uma tal sugestão.

No capítulo IV (pgs.113 a 129), o relatório retoma alguns pontos das conclusões da Comissão Stiglitz (do nome do Nobel da Economia que a dirigiu) das Nações Unidas e avança explicitamente com uma proposta de estratégia.

Essa proposta já havia sido alvitrada, recorda agora a UNCTAD, no final dos anos 1970. "Trata-se de facilitar a diversificação das reservas para além do dólar, sem o risco de gerar uma grande crise do dólar, dando aos bancos centrais a possibilidade de depositar dólares numa conta de substituição especial do Fundo Monetário Internacional (FMI) denominada em direitos de saque especiais (DSE). Estes DSE poderiam ser usados para efectuar pagamentos internacionais. Como são valorizados em função do peso médio das divisas mais importantes, o seu valor é mais estável do que cada uma delas", refere o relatório, que adianta, no entanto, ser necessária uma reformulação da estrutura de quotas no FMI de modo a reflectir a actual realidade geoeconómica.

Apesar de alguns riscos que este sistema implicaria - e que a UNCTAD detalha - seria menos perigoso do que o existente dominado pelo dólar desde o chamado golpe Nixon em Agosto de 1971 que consolidou a hegemonia da moeda americana na economia mundial. Foi o presidente francês De Gaulle que o apelidou de golpe: o presidente americano suspendeu unilateralmente a convertibilidade do dólar em ouro, rompendo com o compromisso assumido pelos americanos em Bretton-Woods em 1944. Era, então, no governo Nixon, subsecretário do Tesouro Paul A. Volcker, actual presidente do conselho económico de Obama.

O relatório admite, ainda, a possibilidade de criar uma divisa de reserva "artificial" (entre aspas no original) por parte de um FMI remodelado ou mesmo de um Banco de Reserva global (uma proposta sugerida pelo comissão Stiglitz, que fosse uma espécie de banco central mundial). A UNCTAD alude à ideia de um "bancor", de uma unidade de conta internacional sugerida por Keynes, o delegado do governo inglês, nas negociações de Bretton-Woods no âmbito da criação de uma União Internacional de Compensação, aspectos centrais do que então foi designado por "Plano Keynes".

China internacionaliza yuan


Por coindicência, na mesma semana, o Ministério das Finanças chinês anunciou que colocará no mercado 6 mil milhões de yuans (equivalente a mais de 600 milhões de euros) de obrigações denominadas na sua moeda, o yuan (ou renminbi), a partir de 28 de Setembro. O plano por fases poderá chegar a um total de 100 mil milhões de yuans.

O local será Hong Kong, a praça financeira que o governo chinês definiu como centro offshore para operações em yuans. A partir daquela data, os investidores financeiros em Hong Kong poderão comprar obrigações emitidas pelo governo chinês em moeda chinesa. Os chineses afirmaram que se trata de uma operação para encorajar a aceitação do yuan em transacções internacionais.

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E....
quando é que os tugas chegam á conclusão que os 200 Escudos que (ainda) usam para converter o euro ja não valem os mesmos 200 escudos ? Convertam em dolares á epoca e ja sabem... quanto custaria em escudos (se existissem) 1 euro...
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