No debate quinzenal de hoje no Parlamento português, era esperado que no confronto PS/PSD o tema fosse o Orçamento do Estado para 2010 acabado de entrar na Assembleia da república. Mas tal não se confirmou. A polémica centrou-se nas diferenças entre o défice previsto no Orçamento rectificativo (8,4 a 8,5%) aprovado em meados de Dezembro de 2009 e o verificado quinze dias depois, no final do ano (9,3%).
Manuela Ferreira Leite quis saber qual as razões que estiveram na origem da "alteração do défice em 15 dias". Em resposta, José Sócrates justificou aquela diferença com o facto de o Orçamento Rectificativo ter sido elaborado "com base em previsões de Outubro", fazendo ainda comparações com o défice verificado nos restantes países.
A líder do PSD acusou então o primeiro-ministro de não ter respondido à pergunta por "não ter outra justificação que não seja esconder deliberdamente o défice".
Réplica com recurso ao passado
Na réplica, José Sócrates acusou Manuela ferreira Leite de, no tempo em que esteve no Governo na pasta das Finanças (2004), fazer "manigâncias para esconder o défice", referindo-se designadamente à "titularização de dívidas ao Estado".
Também Paulo Portas, líder do CDS-PP, iniciou a sua interpelação ao Governo dirigindo-se directamente a José Sócrates, acusando-o de não "ter dado informação ao eleitorado", em Setembro de 2009, "que lhe permitisse fazer conscientemente a sua escolha". Referia-se Paulo Portas às previsões do défice anunciadas no período eleitoral e ao valor real do mesmo que efectivamente se veio a verificar.