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Cartas dos leitores

Política e Religião

Dois países laicos - sem religião oficial -, Espanha e França, servem hoje de palco aos confrontos entre a Igreja Cristã e a democracia. Num mundo onde, de uma maneira geral, a liberdade religiosa é um direito, consigo ficar cada vez mais fascinado ao observar a influência e o poder que a  Igreja Cristã, ainda!, detém. Espanha representa uma das maiores economias mundiais, e é actualmente um enorme potência.

Independentemente de todos os aspectos negativos e positivos do actual governo de Zapatero, parece-me claro que, em primeiro lugar, ao contrário do que a Igreja afirma, uma disciplina obrigatória de Educação Cívica não destrói o direito fundamental de os pais educarem os filhos consoante os seus próprios princípios morais. As crianças passam três quartos do seu tempo diário nas escolas, e devem receber apoio cívico, aparte daquele que é dado em casa.

O primeiro não interfere, nem impede, em nada o segundo. Em segundo lugar, a introdução do estudo livre da religião cristã, nos programas escolares, não é uma obrigação por parte de ninguém. Porque é que deverá ser introduzida uma disciplina cristã nas escolas públicas, em vez de uma disciplina de uma outra religião qualquer? A maioria dos cidadãos espanhóis são cristãos, verdade. Mas isso não dá o direito, nem tal pode acontecer, ao Estado de menosprezar as minorias e beneficiar uma única religião. Quer-me parecer, em suma, que Zapatero assumiu uma atitude louvável, ao não ceder aos caprichos (e perdoem-me o possível desrespeito) da Igreja Cristã, quando esta se encontra numa fase onde vê as massas a não seguirem, cada vez mais, as suas "ordens"; e separando assim, de uma forma eficaz, a política da religião.

Por outro lado, completamente oposto, o presidente Sarkozy parece determinado em reintroduzir a religião na sociedade moderna francesa. A essencial divisão de papéis entre o Estado e a Igreja está, lentamente, a ser eliminada. O futuro reserva apenas, desta forma, uma ainda maior influência nos assuntos de Estado por parte dos líderes da Igreja Cristã. Pergunto-me, por fim, como se sentirão todos aqueles cidadãos franceses cujas religiões, por, talvez, serem uma minoria, serão ignoradas nesta reforma política/religiosa, após ouvirem os discursos, por parte do presidente prancês, onde este expõe a sua posição face às culturas laicas actuais.

Francisco Peres, Almada

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