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Cartas dos leitores

Crítica e auto-crítica

Todos temos uma certa tendência, para fazer críticas, ou seja fazer uma apreciação desfavorável de determinado acontecimento, de determinada situação, de determinada pessoa, trata-se de algo normal e até salutar, quando feito dentro de limites aceitáveis, com boa educação, e até em muitos dos casos, pode gerar algo de construtivo. Claro que se pode sempre colocar a questão, do que será uma crítica dentro de limites aceitáveis, e aí facilmente se pode responder, que é aquela feita com bom senso, que não passa para o insulto gratuito e banal e porventura desnecessário, sendo que as críticas demasiadas vezes são feitas para auto-valorizar pela negativa quem as faz, para desviar atenções de outras situações, ou até como uma fonte de inveja, ou de recalcamento.

Quanto à auto-crítica, é algo muito mais complicado, ninguém ou muitos poucos, assumem em privado, quanto mais publicamente que cometem erros, é doloroso assumir um defeito, pode parecer um sinal de fraqueza, de auto-flagelação, pelo que evita-se que seja feito. Sendo que, é sempre mais fácil, e até mais cómodo criticar, atirar a pedra ao vizinho, e assim o nosso espaço vai ficando preservado, até determinada altura em que os limites são todos ultrapassados, e nada mais há a fazer, que não seja assumir abertamente as criticas que os outros fazem, e já sem sequer termos hipótese à auto-crítica. Claro que não é sequer confundível, auto-crítica, com auto-piedade, esta última, ninguém deve ter, nunca, por muito mal que tudo lhe possa estar a correr, porque será sempre uma forma tão negativa de olhar para si próprio, que só prejuízos acarreta, enquanto a primeira, a auto-crítica, até é necessária, mas é incomoda, é dolorosa, razão pela qual raríssimas vezes é utilizada, torna-se tão fácil constatar este facto, basta olharmos à nossa volta, basta lermos o jornal, ouvirmos um noticiário, porventura olharmos para nós próprios.

Como é evidente, temos sempre que nos salvaguardar, o que faz parte do nosso princípio mais que lógico e legítimo de vida e de sobrevivência, mas por vezes em determinadas situações, fazer uma auto-crítica, torna-se necessário, mesmo que a não transmitamos publicamente, mesmo que fique confinada a um círculo muito restrito e muito fechado, mas estando ou sendo feita, serve para emendar caminhos, repensar estratégias. Este comportamento se tem que ser abrangente a toda e qualquer pessoa, muito mais o será a quem exerce cargos públicos, ou a quem tem grande notoriedade, que como já referido, não o vai necessariamente ter que publicitar, apesar de em certas alturas até o poder e dever assumir abertamente, porque situações destas são benéficas, mas desagradáveis, são necessárias, mas inconvenientes, mas não serão de todo impossíveis, e dá para pensar, porque não se fez antes quando se ainda vamos a tempo de o fazer. Algo de semelhante será a defesa, de actos por nós praticados, com argumentos fidedignos, e que são perceptíveis, relevantes e aceitáveis, logo justificam o mais possível o que foi feito, sendo totalmente diferente, nestas situações como é a actuação mais usual, passar ao ataque, é tão mais fácil, é tão mais usado, é tão mais cómodo, não estamos a justificarmo-nos, estamos a atacar o outro, não justificámos os nossos actos, os nossos comportamentos, amesquinhamos os dos outros.

Teremos e até pretenderemos viver sempre com críticas, dado que ninguém é perfeito, todos errámos, enganamo-nos, e ao serem correctamente apontadas  essas situações dentro dos tais limites de razoabilidade, teremos também e em simultâneo que de quando em vez olhar para nós, e assumirmos, a tal auto-crítica o nosso erro e emendá-lo. Vai ser difícil e complicado, mas não será de todo impossível depende do nosso grau de capacidade de suplantar o nosso orgulho exacerbado e em simultâneo de não ter qualquer vergonha de um erro assumido, vai um pouco na linha do arrependimento e do remorso, em que o primeiro, resolve-se e o segundo já não, porque fez um mal irreversível...

Augusto Küttner de Magalhães, Porto

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