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Cartas dos leitores

"Chamem a polícia qu'eu não pago"

João Moreira de Sá (www.expresso.pt)

Os deputados do PS zangaram-se com Teixeira dos Santos por causa do desfecho das negociações ou conversas com o PSD. Até aqui tudo bem. Nós, pessoas - e por nós refiro-me a mim, claro - também estamos um bocadinho zangados com eles todos. Mas o ministro Teixeira afinal não levou nas orelhas por não ter havido acordo mas sim por não ter conseguido evitar deixar passar a mensagem de que a culpa (desta vez) terá sido do governo e que seria preciso afinar a comunicação. A partir daqui tudo mal, portanto.

Que estão todos a trabalhar para a imagem com que vão ficar, usar e explorar até às próximas eleições, isso nós já percebemos e não gostamos. Fazê-lo de forma tão descarada, em bandos de deputados, cai mal. Pelo menos finjam que se preocupam mesmo com o país e não apenas com as aparências. Torna-se perigoso, mesmo para eles, políticos, viver no mundo da ilusão, do faz de conta, porque pensando que pensam pela cabeça das pessoas normais ou que moldam esse pensamento à sua vontade, com as devidas máquinas de marketing e comunicação em funcionamento, não se apercebem de quão longe vão ficando do mundo real.

Os Eles deviam ler duas coisas: A "Pedra Filosofal" do António Gedeão e o "Ensaio Sobre a Lucidez" do Saramago. O primeiro para saberem que é o sonho que comanda a vida, não o pesadelo, desse acorda-se e geralmente com má disposição; o segundo para terem imagem de uma ficção que tantos de os Nós gostariam tornar realidade: a descrença total, espécie de niilismo político de já não querer saber, mandem a(s) conta(s), nós já percebemos que temos que pagar mas não incomodem, sim?

Se o Sr. José se quer demitir a qualquer custo, seja, já vamos estando habituados a que fujam e diz-se que não há duas sem três. Quis esperar até poder sair como vítima? Tudo bem. Já pode. Venha de lá esse FMI, para nós é indiferente se quem nos envia a conta se chama José ou Pedro ou Angela ou Senhor do FMI. Dava jeito era que a conta viesse toda da uma vez e bem feita. Senão um dia tomamos juízo e fazemos como o outro: "chamem a polícia qu'eu não pago".