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Expresso

Cartas dos leitores

À especial atenção do Sr. Jornalista Valdemar Cruz,

José Gravanita, eng.º IST

Com os meus setenta anos, cumpridos na data em que li a entrevista em título, e necessariamente com a experiência de vida em três continentes, permita-me V.Exa. que faça um par de comentários, que não passam de um desabafo dum português comum, que sofreu muito sem ser figura pública, e que jamais ousaria ser político neste país!...(houve alguém, porém, que um dia, no primeiro semestre de 1992, durante uma entrevista no Ministério das Finanças de Angola, me disse que o que eu falava era política!).

Porquê? Difícil explicar em poucas linhas e não quero maçá-lo com a minha história.

Portugal tem uma História longa, muitas vezes mal contada e com omissões terríveis, algumas relativas aos últimos cinquenta anos.

Embora tenhamos registado gente muito inteligente e conhecedora dos imperativos de desenvolvimento, o certo é que não tivemos até hoje estadistas à altura dos acontecimentos e com visão de futuro, Pràticamente nenhum (nem os que conviveram com grandes figuras políticas da Europa) !!!...

Lê-se nas palavras do entrevistado: "Ninguém tem dúvidas do progresso que houve em 36 anos de democracia, em todos os sectores"(????). Acho que contrapôr com  a minha opinião não valerá a pena, pois é tal o disparate da afirmação que o melhor é deixar à consciência de quem verdadeiramente lutou por Portugal e não para si próprio. Quase quatro décadas de incúria, de desleixo na Educação, ignorando-se os imperativos de desenvolvimento e permitindo-se a "lei do faz-de-conta" e "salva-te se puderes". Que valores foram ministrados nas escolas? Que estratégia foi analizada e posta em prática na Educação, visando a preparação de gente capaz, quadros competitivos, civismo, etc. etc. Que História foi contada aos alunos, desde o início da actividade escolar, por aí fòra?...Meu Deus!...

Sobre a queda do regime, caíu de podre!!! Onde estavam as elites e os ousados para admnistrar o país?...

Será que Portugal quer ter memória, para além dos Descobrimentos?...

Recentemente, numa outra entrevista, uma personalidade conhecida disse que ficámos "um país de pedintes"! Como interpretar o supracitado progresso que não oferece dúvidas a ninguém?...

Concluo já, para não estragar o nosso dia, proclamando a SEDE que todos devemos ter da VERDADE, da HONESTIDADE e da HISTÓRIA COMPLETA DE PORTUGAL! Para que seja ensinada nas escolas!...

Respeitosos cumprimentos,

José Gravanita

(eng.º IST)