Siga-nos

Perfil

Expresso

Cartas dos leitores

Adeus, Fidel

Estive em Cuba no ano passado com o objectivo de conhecer Havana e Varadero, mas essencialmente o tão falado e criticado regime cubano. De facto, simpatizo imenso com o homem das longas barbas e olhar afável e simpático mas o regime ao qual sujeita os cidadãos é, no mínimo, inacreditável... É preciso visitar Cuba com os olhos e ouvidos bem atentos para constatar a miséria e escuridão em que vive o simpático povo cubano. Perguntei várias vezes onde vivia Fidel e ninguém sabia responder porque o grande Chefe se esconde de tudo e de todos. Porquê, Fidel? Qual a razão que o leva a ter medo e a esconder-se? Medo da morte, evidente. Mas sendo tão inteligente, trabalhador, empenhado, guerreiro, por que não permite a liberdade de expressão e as eleições livres?

O país não é uma coutada sua, é de todos os cidadãos que lá vivem de boca amordaçada e impedidos de partir para lugares livres como o meu País-Portugal. Varadero não me interessava porque serve como cartão de visita de uma mentira - Varadero é para os estrangeiros se maravilharem e pensarem que Cuba é aquele paraíso verde e florido. Mentira. A verdadeira Cuba é servida fria em Havana. Falei com muitos cubanos que olhavam em redor antes de darem qualquer resposta, tal era o medo dos "bufos" do regime... Muitos licenciados a trabalhar como cocheiros, guardas de Museus, empregados de hotéis, tudo menos na área que o seu curso previa. Viraram-me a mala do avesso na alfândega e confesso que só me apeteceu voltar imediatamente para o meu querido país onde faço o que me apetece, sempre em liberdade total. Pobres cubanos!!! Não desisti e tentei conhecer o máximo dos meandros do dito regime.

Ganhei a confiança dos cidadãos e fui sendo informada da miséria total em que vivem. Pedem tudo: desde roupas até ao papel higiénico que falta nos quartos do Hotel em que estive hospedada. Nunca tinha imaginado que Cuba tinha chegado a tal ponto. Agora sei, tenho a certeza, de que o regime de Fidel está preso por um fio que não tarda em partir-se. O mano Raúl é um faz de conta, uma quimera, enquanto os cubanos aguardam as eleições livres e a felicidade esperada há mais de 50 anos. Viva o povo Cubano e a simpatia de Fidel que, cegamente atrofiou um povo maravilhoso. Reconheça-se, porém, a dignidade do acto de afastamento de Fidel ao reconhecer a inviabilidade de continuar a presidir ao destino do País. Força, Cubanos, vão ser livres como merecem e eu vou voltar a Cuba quando ela for livre como o vento.

Maria Georgina Valente,  Carcavelos

  • A Redacção reserva-se ao direito de publicar ou não as cartas enviadas, bem como de condensar os originais;
  • Os autores devem identificar-se indicando o n.º do B.I., morada, telefone e endereço de mail, sendo que só o nome, o local e o endereço de mail aparecerão publicados online;
  • Não devolvemos documentos que nos sejam remetidos;
  • As cartas também podem ser versões alargadas de trechos publicados na edição impressa;

Envie a sua opinião paracartas@expresso.pt