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Canção infinita

Há quatro anos, Manuel Fúria convocava citações de Lucas e Mateus (os evangelistas, não o duo sertanejo) e da claque do fêcêpê, garantindo que queria ver Lisboa a arder e exortando a que olhássemos os lírios do campo. Era um álbum combativo, o segundo a solo. Um álbum contra a Babilónia, quase camoniano: “Cá nesta Babilónia, donde mana / Matéria a quanto mal o mundo cria”. Lisboa, a grande cidade, a grande meretriz, podia não ser a raiz de todos os males, mas todo o bem se encontrava nas raízes, de preferência longe da capital. “Manuel Fúria Contempla os Lírios do Campo” (2013) era new wave bíblica, um épico de exasperação e invectiva, com o som em crescendo, embebido no tradicionalismo modernista dos Heróis do Mar e Sétima Legião. Eu andava de candeias às avessas com Lisboa, e compreendi até o verso sinistro roubado aos tiffosi, a insatisfação de um indivíduo com o seu tempo e a sua circunstância. E, no entanto, nem só de fúria vive o homem, e um verso admitia: “procuro a claridade mas respeito o mistério”. Um católico, bem vistas as coisas, não se confunde inteiramente com um pós-punk.

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