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Paris, Texas

Uma música que faz o espaço, que amplifica o espaço. Um sem-abrigo, um louco, anda desengonçado e decidido, maquinal. Uma auto-estrada para lado nenhum? A América de John Ford. No meio da erva seca, em contrapicado, Travis como um santo endoidecido, como o Johannes de “Ordet”. O irmão vem buscá-lo, “pensávamos que tínhamos morrido”, esteve fora quatro anos, “quatro anos é muito tempo?”. Volta à terra dos vivos, come, fala. Pela estrada fora, de automóvel. Também passam comboios, aviões. Estações de serviço, motéis, fantasmas de Hopper. Do avião, Travis tem medo: “não quero sair do chão”. O irmão impacienta-se. “It’s allright if you leave me”, diz Travis, habituado. Atravessam o Mojave, terras sem nome. Travis conduz, “ainda te lembras?”, “o meu corpo lembra-se”. Travis tem uma fotografia: “what’s out there?”, no fim da estrada, pergunta o irmão. Paris, Texas. Um lote de terreno em Paris, Texas, a terra onde os pais se conheceram, onde Travis acha que foi concebido. O pai costumava brincar dizendo que tinha conhecido a mulher em Paris: Paris, Texas, dizia, acentuando a pausa, a vírgula.

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