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Expresso

O glaciar

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O amor, pensa Geoff, é um fóssil. Um corpo antigo, intacto, preservado no gelo. Como aquela múmia que encontraram na Escandinávia, o Homem de Tollund, um cadáver que não se desfez. O corpo em questão é o de uma rapariga morta, presa num glaciar suíço há meio século. Geoff estava com ela, à época, numas férias nos Alpes, soube que caiu, que desapareceu, e não soube mais nada. Mas um corpo insepulto torna-se corpo hipotético, era preciso ter havido um funeral para que ela ganhasse realidade, para que não fosse uma pessoa que existiu e depois deixou de existir de um momento para o outro, assim, como se fosse a coisa mais natural, alguém rasurado do mundo, não um morto, mas uma ideia, não o amor, mas o seu fantasma.

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