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2017

2017 é um ano que não me vai deixar particulares saudades. Sendo que, olhando e meditando sobre as coisas que hoje acontecem, não sei se para a frente haverá muitos anos que venham a ser melhores do que os anteriores. Não se trata de pessimismo militante nem de velhice avançante: trata-se de observar e não entender. Lá, onde eu me sento a olhar o campo e as estrelas à noite, há sinais iniludíveis de que alguma coisa de grave e estranho está a acontecer. É verdade que as ribeiras secas, as barragens vazias, o terreno gretado, podem ser apenas consequência de um ano de seca, ou mesmo dois de seguida — que os há ocasionalmente e eu já vivi vários. Mas nunca tinha assistido ao silêncio absoluto das rãs, ao desaparecimento de toda a espécie de pássaros e aves no horizonte, à morte prematura de tantas árvores, enfim, aos sinais de vida que se vão esfumando. A grande questão é saber se o clima está mesmo a mudar de vez ou se estamos apenas perante um ciclo, repetido e reversível, mas que os homens vêem sempre como ameaça de catástrofe — pois a natureza humana, essa, nunca muda e só raramente é optimista. Mas, na dúvida, seria mais prudente ser pessimista e prestar toda a atenção aos cientistas que, fundados em estatísticas e dados de medição inatacáveis, não têm dúvidas de que estamos a entrar num território desconhecido e perigoso de alterações climáticas. Justamente a pior altura para que a grande nação responsável por 25% dos gazes com efeito de estufa, os Estados Unidos da América, escolhessem para seu Presidente um croupier de casino, obcecado por espelhos dourados e afectado por gritantes problemas do foro psiquiátrico.

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