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O ano da pós-verdade

Algures na Bulgária, um jovem dedicou-se durante meses a colocar notícias falsas sobre Hillary Clinton nas redes sociais. Inventou uns milhares de falsidades, das quais umas dezenas tiveram amplo acolhimento e divulgação através das redes sociais, ao ponto de ele, imodestamente, se gabar de poder ter tido uma influência decisiva no desfecho das eleições americanas em favor de Donald Trump. O próprio Trump passou a campanha e os debates a disseminar uma quantidade de ideias fundadas em factos falsos, que eram regularmente desmentidos pela imprensa, mas que para milhões de americanos (40% dos quais confessam que retiram o essencial da sua informação do Facebook) passaram a ser verdades. Já não se trata da velha máxima de Goebbels de repetir uma mentira tantas vezes até que ela se transforme em verdade: basta dizê-la uma vez e esperar que as redes sociais a transformem em verdade instantânea. Porque a verdade deixou de ser um dado objectivo, verificável com maior ou menor dificuldade, para passar a ser um dado de adesão voluntária: é verdade aquilo que um indivíduo ou uma comunidade desejam que seja ou lhes dá jeito que seja. Chamam a isto pós-verdade — aquilo que não é necessariamente verdade, provavelmente é até mentira, mas, como não está confirmado que seja mentira, pode passar por verdade. É uma questão de opinião, não de rigor.

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