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Expresso

O grande prestidigitador

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Não é a possibilidade de um governo de esquerda, apoiado ou integrado por quem ainda há quinze dias era leninista e mal curado do estalinismo, que me choca. O que me choca é a batota. Quanto ao “programa de governo comum” da esquerda, como lhe chamou Costa, não há grandes razões para sobressaltos: entre as regras do euro, as do Tratado Orçamental, as do BCE e a pressão asfixiante dos mercados, a margem de autodeterminação de qualquer governo não anda nunca muito longe do “TINA” — que o diga Alexis Tsipras. Entre o programa de um governo de esquerda, que Costa anda entusiasticamente a negociar com o PCP e o Bloco, e o programa da coligação, que ele despreza ostensivamente, as diferenças são apenas de graduação e ritmo — no essencial é mais do mesmo, incluindo, quer num quer noutro, a nula vontade de reformar o Estado e a economia de alto a baixo. Quando muito, em termos orçamentais, que é a única coisa que verdadeiramente interessa, um governo do PS com a extrema-esquerda, custar-nos-á uns dois mil milhões por ano a mais, gastos no reforço do Estado assistencial e sustentados pelo aumento de impostos aos poucos que os pagam.

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