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Expresso

A fotografia

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Aylan está morto e abandonado, o seu corpo virado de costas ao sol e à vida e a sua cara mergulhada na rebentação das ondas da praia de Ali Hoca, em Bodrum, Turquia. O mar que lhe deveria ter dado uma vida, trouxe-o de volta, morto e notícia. A fotografia do jovem corpo de Aylan Kurdi, de três anos de idade, é daquelas que estão destinadas à eternidade. Mas, antes da eternidade, a fotografia de Aylan, morto e exposto, estava, como seria de prever, destinada à modernidade: a tornar-se, como é moda dizer, “viral nas redes sociais”. Durante alguns dias, o tempo de outro fugaz evento apagar a sua memória, a última imagem da sua breve vida aliviará consciências nas “redes” e um simples forward deixará à multidão em rede a sensação de dever cumprido. Até que novidades sobre Kim Kardashian ou sobre um cão violento que vai ser abatido remetam a memória da insuportável banalidade da sua morte para o não-lugar de onde veio e o não-lugar onde acabou: às portas da Europa sonhada.

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