Siga-nos

Perfil

Expresso

Eu vejo pessoas mortas

Como o pequeno Haley Joel Osment, em “Sixth Sense”, também eu vejo pessoas mortas. Os primeiros mortos entraram-me autocarro dentro, em 1974. Três mortos das noites anteriores de tiros, medo e ódio nas fronteiras raciais dos musseques de Luanda. A justa ira da militância veio exibir os seus mortos. Mal os viram, o encardido pudor de um lençol a tapá-los, umas irmãzinhas — seriam do Sagrado Coração de Jesus? — fugiram do autocarro no voo etéreo que os soltos hábitos lhes permitiam. Estes não eram mortos de ressuscitar, ao contrário do morto de há dois mil anos, por místico amor do qual um dia tinham tomado hábito e véu, renunciando aos lambidos prazeres do mundo.

Para continuar a ler o artigo, clique AQUI
(acesso gratuito: basta usar o código que está na capa da revista E do Expresso. pode usar a app do Expresso - iOS e android - para fotografar o código e o acesso será logo concedido)