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Expresso

Ali, onde eu chorei…

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Se eu choro muito? Choro mais por nada do que por tudo. Aos seis anos, fui com um dedo entalado na porta da carrinha da escola e nem uma lágrima, para professor e colegas não saberem. Chorei, sim, no dia em que cheguei atrasado às aulas e sabia que a minha velhinha professora tinha de me dar com a clássica palmatória: chorei eu e chorou ela. Não chorei quando o chumbo de um tiro me furou, limpinho, a mão esquerda. Choro com a estúpida e tão visceral ideia de pátria, bandeira e hino. Agnóstico, ateu, choro na missa se um padre disser com elevação e boa dicção as mais belas palavras da liturgia.

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