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Barão Edouard-Jean Empain

O barão belga Edouard-Jean Empain, Wado para os amigos, que morreu num hospital de Pontoise, perto de Paris, na quarta-feira dia 20 do passado mês de Junho e fora, há quase meio século e durante quase 10 anos, PDG todo-poderoso do grupo francês Empain-Schneider (143 companhias, algumas no nuclear, 130 mil empregados, 25 mil milhões de francos de volume de negócios) teria sido agora, à hora da sua morte, lembrado por família, amigos, colegas mas continuaria desconhecido do grande público, mantendo-se o nome Empain associado apenas ao avô, que nos anos gloriosos da engenharia civil do fim do século XIX e começo do século XX, depois de vários trabalhos importantes na Bélgica, se ocupara da instalação do metropolitano de Paris (entregando arquitectura e decoração de algumas estações ao seu compatriota e mestre de art-nouveau Victor Horta) e do estabelecimento do caminho-de-ferro na gigantesca parte de África a que se chamava então o Estado Livre do Congo, explorado pelo mais brutal e desumano dos colonialismos (quando tinha oito anos, o neto viajara lá em comboio do avô que parava às oito da manhã para o menino poder tomar o pequeno-almoço sem solavancos), se chama agora República do Congo e, entre o ditador Mobutu e o ditador Kabila (II, pois sucede ao pai), tem sido pessimamente governado, havendo-se antes disso tornado o 1º barão grande capitão de indústria, multimilionário e fonte da riqueza e conforto discreto em que o seu neto Edouard-Jean fora nado, criado e teria acabado por morrer sem que, fora do seu meio, se houvesse dado pela sua existência salvo, talvez, por gabarolice de inclinações políticas de extrema-direita —não fora o rapto a 23 de Janeiro, a mutilação da falangeta do dedo mínimo da mão esquerda que acompanhou, em frasco de formol, o pedido de resgate, o cativeiro de 63 dias e por fim a libertação que, como um tsunami, tomaram conta dele no annus horribilis de 1978 e mudaram a sua vida para sempre.

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