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Mário Soares (1924 - 2017)

Mário Alberto Nobre Lopes Soares, filho de político da 1ª República, após esta, anti-salazarista, pedagogo, autor de atlas geográfico e padre reduzido ao estado laical, que morreu no passado sábado no Hospital da Cruz Vermelha em Lisboa onde fora internado de urgência a 13 de Dezembro, mais de um ano depois de no mesmo hospital se ter extinto sua mulher, Maria de Jesus, geralmente conhecida por Maria Barroso, actriz, declamadora e companheira de luta política em toda a vida de ambos, primeiro contra o fascismo do dr. Salazar que lhe custou a ele prisões, degredo e exílio (e a ela embates com a polícia política e proibição de representar, além de manter sozinha, em bom funcionamento, colégio lisboeta com internato e externato e garantir a boa educação da filha e do filho), depois contra o comunismo do dr. Álvaro Cunhal que, de súcia com uma parte do Movimento das Forças Armadas, muito activa logo desde o 25 de Abril, foi tentando estabelecer as bases para uma eventual instalação de regime soviético em Portugal, atingindo o confronto com os apoiantes da democracia parlamentar de tradição europeia ocidental — de que Mário Soares, se tornara o chefe — grande intensidade no Verão de 1975 mas que, à medida que independências iam sendo dadas às antigas colónias, foi aproximando militares extremistas dos seus camaradas moderados no seio do MFA, ao ponto de a 25 de Novembro de 1975 (dias depois da última independência, a de Angola) tentativa de golpe militar enquadrada pelos comunistas ter sido rapidamente neutralizada, estes e a esquerda antieuropeia e terceiro-mundista postos fora do arco da governação e a democracia parlamentar com que vivemos desde então conseguir finalmente começar a enraizar-se em paz.

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