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Expresso

Edmonde Charles-Roux (1920-2015)

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Marie-Charlotte Elisabeth Edmonde Charles-Roux, que morreu em Marselha — cidade em que a sua família há várias gerações se distinguia e de cujo político contemporâneo mais conhecido era viúva — na quarta-feira, 20 do corrente, sendo a morte anunciada pela Academia Goucourt de que fora um dos membros, eleita em 1983, presidente entre 2002 e 2014 e, muito antes de tudo isso, distinguida pelos académicos com o Prémio Goncourt, a mais alta distinção literária francesa, por eles dado em 1966 ao seu primeiro romance “Oublier Palermo” (apoiada entusiasticamente por Louis Aragon, com Elsa Triolet o casal emblemático do comunismo francês literário da época), foi das criaturas mais fascinantes da França do século XX, meridional até à medula mas intensamente cosmopolita após educação em Praga e Roma — com passagens por S. Petersburgo, Istambul, Cairo e Londres — devida a andanças de pai armador metido a diplomata que, no dealbar da França do marechal Pétain, se reformara do serviço do Estado (“Volto para a minha tenda”: modestamente, a presidência da Companhia do Canal do Suez), encontrando-se ela, no começo da guerra, com curso de enfermagem e vontade de defender a pátria, alistando-se no 11º regimento de infantaria da Legião Estrangeira, sendo ferida em combate; quando a França capitula passando à Resistência e a seguir à França Livre, no Estado-Maior do general de Lattre de Tassigny, desembarcado na costa Sul e libertando país acima; ferida novamente, condecorada com a Cruz de Guerra (depois com a Legião de Honra) e, finda a guerra, querendo continuar a trabalhar, coisa muito mal vista no seu meio — durante a guerra, vá que não vá — em 1946 rumou a Paris.

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