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A pluma de Costa

O concurso para os apoios às estruturas de teatro só acontece de quatro em quatro anos. As coisas estão de tal forma no osso que quem fica de fora dificilmente sobrevive. É por isso que não podia falhar. Mas falhou estrondosamente. Falhou porque companhias, teatros e festivais foram postos no mesmo saco. Pode haver acumulação de funções e o apoio ser cumulativo. Mas são coisas diferentes que exigem apoios diferentes. Falhou porque grandes teatros geridos pelo Estado e por autarquias, com mais meios e influência, concorreram com pequeníssimos coletivos pelos mesmos recursos. Falhou porque o critério regional não teve qualquer peso. Falhou porque a bilheteira não foi considerada para os 33% de receitas próprias que eram exigidos, prejudicando quem depende mais de si mesmo. Falhou porque é possível um concorrente ter pontuação para ser elegível mas não receber o apoio. Falhou porque se exige um planeamento de programação a quatro anos, o que só pode resultar em exercícios de fantasia. A programação não é feita a quatro anos, logo as companhias não sabem por quem vão ser convidadas e os programadores não sabem quem vão convidar. É tudo a fazer de conta que a cultura se faz em planos quinquenais. Para perceber o absurdo deste concurso, que ainda por cima veio fora de prazo, basta olhar para os resultados: o histórico Teatro Experimental de Cascais, que também é uma escola, e as únicas estruturas profissionais de Évora e de Coimbra ficaram sem apoio.

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