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Não vale tudo

Comecemos pelo óbvio: o papel dos jornalistas é fazer perguntas e encontrar respostas. Todas as exigências de esclarecimento que foram feitas na última semana, incluindo o conhecimento exato do número de vítimas mortais dos incêndios e os seus nomes, são legítimas. É natural que o governo e os seus apoiantes fiquem incomodados. Manter Pedrógão na agenda política é mau, seja qual for a abordagem. Foi aí que as coisas descarrilaram. Mas, por mais revolta que provoque, o trabalho dos jornalistas não se deixa de fazer. Só que uma coisa é informar, outra é lançar a suspeita. Um jornalista não diz que uma história está mal contada, conta a história. Não instala a dúvida, esclarece. Judite de Sousa, por exemplo, entrevistou uma empresária que elaborou uma lista de mortos alternativa à das autoridades médicas e judiciais. A lista revelou-se errada, com nomes repetidos e várias imprecisões. A sua autora, veio-se a saber depois, tem problemas com a justiça por calotes a muitos trabalhadores. Quem lhe pôs o microfone à frente nem se deu ao trabalho de investigar a sua credibilidade, mostrando como alguma imprensa pode ser presa fácil para qualquer manobra de manipulação. Ao contrário de quem deu voz a esta empresária, o “Expresso” desenvolveu uma investigação própria e foi rigoroso nos números e identidades que divulgou. Mas fez, há uma semana, uma manchete de sentido dúbio que ajudou à confusão num assunto que tem de ser tratado com pinças.

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