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Da alternância à unificação

Le Pen não é Donald Trump. Apesar de ter recauchutado o colaboracionismo antissemita do pai, dirige a mais resiliente e relevante extrema-direita europeia. A sua vitória representaria um enorme risco para a democracia francesa e, por arrasto e exemplo, para as restantes democracias europeias. Mas a derrota de Le Pen depende, antes de tudo, do seu opositor. Parece que estou a escrever uma lapalissada, mas nas últimas semanas institui-se a ideia de que todos os democratas franceses devem engolir o orgulho e as divergências para derrotar Le Pen. Todos menos Emmanuel Macron. Numa campanha onde até conseguiu contrariar a intoxicação de Le Pen no debate televisivo, Macron falhou em toda a linha no seu flanco esquerdo: criticou operários em greve, reafirmou a vontade de liberalizar o mercado de trabalho e desprezou o eleitorado de Mélenchon. Se, em vez de sinais de aproximação, Macron mostra tão pouco pragmatismo na recusa de qualquer cedência, como pode exigir que os eleitores de esquerda abandonem os seus princípios para votarem nele? O resultado desta postura foi conhecido no referendo a 240 mil militantes da França Insubmissa, base de apoio de Mélenchon: 35% disseram que queriam votar Macron, o resto defendeu abstenção, nulo ou branco.

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