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Adversários convenientes

Já não há esquerda nem direita, dizem Macron e Le Pen. A divisão é entre “globalistas” e “patriotas”, grita Le Pen. É entre “europeístas” e “nacionalistas”, concorda Macron. É a dicotomia que interessa aos dois e por isso Macron é o adversário ideal para Le Pen e vice-versa. A Le Pen, esta dicotomia simplista permite ficar sozinha na contestação ao “sistema”, conquistando todo o eleitorado que não acredita nesta União e nesta globalização. Para Macron, até dificulta a reedição da frente democrática que, em 2002, se uniu contra o pai de Marine. Mas, a médio prazo, ajuda a reconstruir, em torno de um suposto “europeísmo”, o centrão que gerou e geriu a crise e que está em forte desgaste. O centrão que impôs, também através da União Europeia, a contrarreforma social de que a Lei Macron, aprovada por decreto contra parlamento, foi só mais um episódio. Macron representa a derradeira aliança entre a terceira via e os neoliberais num reduto final e unificado de resistência do “sistema” ao cerco em que hoje vive. Para reconstruir este espaço interessa-lhe, mais do que uma frente democrática, uma capitulação do flanco esquerdo. Aquele que não desistiu de representar os excluídos da globalização e tem de gerir uma posição muito delicada nesta segunda volta: nem ser responsável pela vitória de Le Pen, nem legitimar o programa de Macron.

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