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Concertação low cost

Eram oito da manhã e a emissão da SIC Notícias passava para a Padaria Portuguesa da Baixa de Lisboa. Como outros patrões, o sócio-gerente da empresa falava sobre o aumento do SMN e a redução da TSU. “Quantos trabalhadores tem a receber o salário mínimo?”, perguntou a jornalista. “Atualmente temos cerca de 25% da massa salarial em regime de transição.” Se se expressou bem, a tradução é esta: um quarto do dinheiro gasto em pessoal é para pagar a trabalhadores que recebem menos de 557 euros. O que quer dizer que a percentagem de trabalhadores com estes salários é muito acima disto. Rabiada a jornalista, vieram as propostas do sócio-gerente. Em vez de andarem a discutir o aumento do SMN e a descida da TSU, que “só interessa aos políticos”, os deputados deviam discutir o que interessa aos portugueses: liberalizar os despedimentos, acabar com os limites legais ao horário de trabalho e reduzir o pagamento de horas extraordinárias. Partilhei nas redes sociais o vídeo com estas declarações e ele tornou-se, para meu espanto, viral. O empresário dizia de forma clara o que outros encriptam com expressões como “reformas estruturais” ou “flexibilização do mercado de trabalho”. E desfazia, com crueza negreira, anos de publicidade para dar um ar moderno a uma padaria low cost. Porque o fez? Porque num país desigual a elite económica vive numa bolha e nem percebe como algumas exigências soam mal aos trabalhadores, que por acaso também são seus clientes.

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