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Expresso

A reviravolta

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Catarina Martins, reagindo ao que ouvia na rua e a uma pressão externa que soube esvaziar, confrontou, a um minuto do fim de um debate, António Costa com três condições para viabilizar um governo do PS: não haver congelamento das pensões, não haver corte na TSU e o PS abandonar o regime compensatório. E repetiu-as vezes sem conta nos dias seguintes. Durante uma brilhante campanha, o Bloco esvaziou o Livre, ultrapassou o PCP e afirmou-se como o principal polo de atração à esquerda do PS. Depois das eleições, repetiu a disponibilidade para suportar um governo maioritário de esquerda. A direita governaria se o PS quisesse. Do ponto de vista estritamente tático, um governo minoritário do PSD e do CDS, viabilizado por um Partido Socialista em crise e sem liderança forte, era o ideal para o Bloco. Ainda mais se fosse por causa do PS que o governo à esquerda não se fizesse. Responsabilizado por mais uns anos de Passos Coelho, obrigado a escolher entre abstenções violentas e a criação de uma crise política, o PS lá iria perdendo votos para quem estaria em melhor condições para capitalizar o cansaço por esta cobardia crónica. O cenário estava montado e a estrela seria o Bloco de Esquerda.

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