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Expresso

A pátria do povo

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Em Atenas tive, na semana passada, a primeira experiência daquilo que mais se aproxima de um movimento de resistência nacional. Os gregos não se limitaram a votar contra a continuação de um processo de destruição do país. Se fosse apenas isso, outros povos teriam feito o que os gregos fizeram. É verdade que os efeitos brutais da crise na Grécia foram maiores do que em qualquer outro país e a participação dos socialistas nesse processo estilhaçou o PASOK. A substituição do centro-esquerda por um partido como o Syriza permitiu uma liderança nacional de natureza totalmente diferente das que temos tido noutros países em crise. Mas isso não teria resistido ao que aconteceu na semana anterior ao referendo. Pensem em Portugal e imaginem o efeito na opinião pública de uma semana em que todos os cidadãos tivessem acesso condicionado às suas contas bancárias. Que esse acesso condicionado fosse percecionado por todos como um prenúncio da perda de poupanças e rendimentos. E os gregos sabiam bem o risco que corriam com o seu voto. Não apenas um risco abstrato para o futuro do país, mas riscos com efeitos diretos e imediatos na vida concreta de cada uma das pessoas que votou. Sentiram esse risco sabendo que não contavam com um único aliado europeu e que estavam a ser cercados pelas instituições europeias. Isto, enquanto eram bombardeados pela propaganda das televisões privadas e pela chantagem da oligarquia grega. 

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