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A seita

Ao rever “Manhattan”, de Woody Allen, percebi a insignificância contemporânea da cultura literária. No filme, um grupo de pessoas exibe o comportamento de uma seita minha conhecida. Os literatos. Gente com casas decoradas com papéis desarrumados e estantes cheias donde os livros saltam como seres vivos, gente que lê livros sobre temas obscuros, gente que escreve prefácios, apura traduções, prepara adaptações, batalha recensões e aspira a publicar um ensaio numa revista de prestígio. No topo da ambição, o romance. Ou o livro de poemas. Críticos, escritores, jornalistas, académicos, ensaístas, todos avulsos, vivendo de três vinténs e falando para uma audiência constituída pelos pares, o que não diminuía a pressão. A cultura literária era vista nos anos 80 como um posto de honra. Muito júbilo intelectual, muito sofrimento moral. Era uma seita tingida pelos tons sombrios e melancólicos do romantismo e do existencialismo, apesar das tentativas do experimentalismo para dar cabo disto. Um escritor via-se como uma personagem byroniana. “Mad, bad and dangerous to know.”

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