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Uma estação de camionagem

Um avião da British Airways vindo de Londres evitou por um triz a colisão com outro avião no aeroporto de Lisboa. Como é que sei isto? Vinha dentro desse avião. Detesto aviões, e com alguma razão. Resisto a linhas low cost, sobretudo as very low cost, nunca tenho a certeza de que o piloto sabe mais do que o computador. Numa emergência, convém ter um piloto com experiência. Foi essa emergência que os passageiros deste voo sentiram. O avião estava praticamente com as rodas na pista quando teve de levantar voo com os motores no máximo, num plano inclinado brutal. Dentro do avião, o silêncio instalou-se. Durante uns bons minutos, ninguém disse uma palavra. Um passageiro gritou “ele abortou a aterragem” e depois calou-se, vagamente aterrorizado. As crianças começaram a chorar, com aquele sexto sentido aeronáutico das crianças, e o silêncio abateu-se, duro e bem definido, sobre toda a gente. Do cockpit nem uma palavra. O pessoal de bordo continuou com os cintos colocados, e de relance reparei que parecia, pelo menos uma das hospedeiras, tão alarmado como nós. O silêncio continuou, com o avião agora estabilizado, mas sem se entender onde estávamos, as luzes da cidade tinham desaparecido na noite. Ganhámos altura, um alívio. E, ao cabo de uns bons 10 a 15 minutos, o comandante falou. Tivera de manobrar o avião para fora da pista porque outro avião estava na pista. Atrasara-se a fazer a manobra e ficara por lá, na rota de colisão. Isto faz sentido? Faz. Isto devia acontecer? Não.

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