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Ópera bufa

Podemos fingir que não vemos. Podemos sempre fingir que não reparamos. Embora seja impossível não reparar. É um dos traços fortes do retrato humano e percebe-se claramente em pequenos pormenores mais do que nos grandes gestos. Falo da crueldade. Talvez porque somos a única espécie que apresenta este traço, visível num franzido da boca, num dedo espetado ou encarquilhado, numa ruga da testa, num olhar baixo, numa voz silenciosa. A crueldade gela os que não são cruéis e embriaga os admiradores. A crueldade sobrevive à morte dos seus portadores, como um vírus ou uma bactéria das que vivem há milhões de anos para se replicarem e sobreviverem ao planeta.

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