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Num dia de Saigão, os estropiados, aleijados, deformados, estão por todo o lado. Não, o comunismo não se livrou dos pobres e muito menos dos pedintes

Ho Chi Minh declarou em Paris em 1946 aos colonizadores franceses “de maliciosa intenção” que o povo vietnamita preferia tudo sacrificar a ser escravo. O bravo general sabia o que dizia. Vergou os franceses na Indochina e os americanos nas selvas do Vietname do Sul. Não esperava que mais de meio século mais tarde, um país unificado e liberto, norte e sul sob a bandeira da foice e do martelo, se tornasse uma caricatura do comunismo e um comentário à vitória do capitalismo. Nos hotéis da Saigão francesa e elegante ainda tocam a música dos anos 70, Andy Williams geme o tema de “Love Story” de que já ninguém se lembra, e no edifício dos Correios, desenhado por Eiffel, o centro é ocupado por mercados de recordações fabricadas na China. Em frente dos portões floresce um McDonald’s com palhaço Ronald. Não muito longe está um shopping com nome inglês, Diamond qualquer coisa, e ao fundo um Starbucks. Existe uma rua dedicada a livrarias e livros que ninguém está interessado em ler. Nos cafés, leem-se telemóveis. Um cartaz apregoa o livro de memórias de Hillary Clinton. Tintim é um herói local, “Tintin au Vietnam”, mas só os turistas belgas e franceses de maliciosa intenção se deixam fotografar em frente ao jornalista da popinha.

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