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Expresso

Notas da escuridão

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Os guias turísticos desatualizados ainda falam da “vibrante” cidade de Alepo, do souk, da Cidadela e da Grande Mesquita. Alepo acabou. Uma centena de quilómetros de camioneta a partir das praias do sul da Turquia e estava-se na Síria, e a Síria era um lugar exótico, policiado pelo regime, em paz. Não existia liberdade em Alepo e dificilmente existe hoje o que quer que seja em Alepo. A segunda cidade síria a seguir a Damasco, três milhões, é um buraco negro. Vista do espaço sideral, está apagada. Ninguém sabe o que lá se passa. Com tantos mortos, sequestros e decapitações, a Síria não tem repórteres, a não ser os locais, e são cada vez menos. Bombardeada pelos aviões de Assad e os caças de Putin, disputada por milícias e fações e pelos restos fraturados do Free Syrian Army (FSA), que deixou de ter uma identidade, a cidade é um lugar de fantasmas. Ficaram os que não puderam fugir, os mais pobres e mais doentes, os mais sós, e ficaram os combatentes. Alepo entrou na escuridão.

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