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Expresso

O Natal do refugiado

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Acabaste de sair de casa. Para chegares à oficina onde consegues trabalhar de vez em quando terás de atravessar meia dúzia de ruas com milícias aos tiros. O autocarro não circula, e o carro de um amigo, cheio de gente como tu, tentando a meia dúzia de quilómetros, corre o risco de explodir, ser baleado ou parado por guerrilheiros armados. Se não te matarem, podes ser recrutado à força. Ou, pior, podes ser apanhado pelas milícias do Presidente e, a golpes e coronhadas, obrigado a enfileirar nos exércitos reais. Os depauperados, esfrangalhados e desertados exércitos de mortos-vivos. Um mancebo como tu é uma presa fácil. O trabalho na oficina permite-te comer e que a tua família continue a comer, pelo menos a tua mãe e irmãos mais novos. A universidade parou, sem aulas nem professores. Se o dia chegar ao fim sem bombardeamentos, não é mau. As bombas de barril fazem estragos que o olho humano não consegue abarcar. A rua está atulhada de destroços, as casas estão arruinadas e desfeitas, as pessoas vivem como coelhos nas tocas. Todos os dias morrem. A comida é pouca e não chegará para o inverno. A guerra continua.

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