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Aeroporto: porque não Portela+Alverca?

A solução encontrada pelos franceses da Vinci, detentores da ANA, para resolver a obrigação que tinham de construir um novo aeroporto quando o movimento na Portela atingisse os 22 milhões de passageiros parece ter sido adotada pelo Governo, que vai assinar proximamente um memorando de entendimento com a empresa para escolher o investimento mais adequado ao Montijo. Acontece que depois de todos os acesos debates que houve no país sobre a construção do novo aeroporto (cuja necessidade começou a ser estudada em 1969!) e depois dos inúmeros estudos e pareceres que foram elaborados, esperemos que também agora seja pedido um parecer ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) sobre esta solução e eventuais opções. É que se se vai manter o aeroporto Humberto Delgado, então o segundo aeroporto pode não ser o Montijo.

O que desaconselha o Montijo? Primeiro, não é opção para os grandes aviões, em caso de impedimento da pista da Portela: terão sempre de ir para o Porto ou Faro devido ao comprimento da pista. Em segundo, o Montijo não aumenta a massa crítica e o número de conexões: pelo contrário, perde atratividade dos voos muito cedo ou tardios. Em terceiro, o percurso até à cidade, contando com a espera pela bagagem, vai demorar cerca de uma hora. Em quarto, os impactes ambientais não serão despiciendos. Em quinto, Portela mais Montijo não são um hub mas dois aeroportos.

Ora, e se fosse verdadeiramente possível ter um só aeroporto, com dois pólos (Portela e Alverca) na mesma margem, unido por um free shuttle bus que fará a viagem em 12 minutos, sem necessidade de construir novas pontes ou reforçar ligações fluviais, podendo os dois receber qualquer tipo de avião (ao contrário das limitações do Montijo)? Se fosse possível juntar à pista de 3800 metros da Portela mais 3400 metros de Alverca possibilitando ter 75 movimentos/hora e movimentar até 70 milhões de passageiros por ano, sem sobrevoo da reserva natural e da urbe a baixa altitude? E se tal solução permitisse a entrada imediata em funcionamento do terminal low cost e dentro de três a cinco anos do terminal regular, havendo ainda um terminal de carga e as oficinas de manutenção da OGMA? Além disso, em Alverca há ligação à linha do norte e a todos os comboios suburbanos (Alcântara, Santa Apolónia, Azambuja, Sintra), interregionais e alfas. Alverca evita também o sobrecusto da mudança da base militar do Montijo e não exige uma nova travessia sobre o Tejo, reduzindo de forma significativa o tráfego automóvel para Lisboa.

Digamos, pois, que pelo menos há que estudar esta opção ou outras que se perfilem. Não se recomenda que o país fique nas mãos da Vinci numa decisão de tanta importância estratégica.

[ Artigo publicado na edição do Expresso de 11 de fevereiro ]