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Expresso

Comendador Marques de Correia - Cartas Abertas

Já contactámos a Renova para nos imprimirem os novos boletins de voto para as presidenciais

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Com a profusão de candidatos a Belém e de Belém a candidatos, teremos de tomar medidas radicais no que à logística diz respeito

Não há fome que não dê em fartura, diz o povo, e tem razão. Tem razão por dois motivos: por um lado, porque se convencionou que o povo tem sempre razão, mesmo quando vota em pessoas tão distintas como José Manuel Coelho, na Madeira, o único Coelho sem dúvida pior do que o coelho propriamente (refiro-me ao animal); depois, o povo tem razão porque constitui a maioria do povo e se convencionou que a maioria tem razão. Um dia que o povo não seja a maioria (quando o direito dos animais for completo e uma besta qualquer puder candidatar-se a deputado ou a Presidente) pode ser que se compreenda que a razão pode estar na minoria, em ninguém, ou numa lesma, mas adiante.

Neste caso, o povo tem mesmo razão. Recapitulemos os acontecimentos que nos conduziram à atual condição de superavitários em matéria de candidaturas presidenciais. Primeiro, não havia ninguém. O país estava de rastos e não havia quem quisesse ser chefe de um Estado falido. Ora, hoje em dia existe uma grande diferença: o Estado, continuando falido, não parece estar, e isso é quanto basta para uma série de gente querer ser chefe de uma ficção. Até porque foi com a ficção que uma série de grandes cabeças do país fez fortuna. Não me refiro ao Camilo, que morreu pobre, nem ao Eça, que só foi endinheirado por casamento, mas ao José Rodrigues dos Santos e a pessoas da sua ordem de grandeza (que há de ser superior a um metro e oitenta).

Voltando ao tema, direi que temos mais candidatos do que grãos de areia na praia de Algés. Vejamos:

Há o Paulo Morais, que é um tipo que quer combater a corrupção e que a Comunicação Social ouve a propósito de coisas que nada têm a ver com a sua candidatura;

Há o Henrique Neto, que é cheio de boas ideias mas não tem notícias na Comunicação Social;

Há o Alberto João Jardim, que não tem ideias muito boas mas tem notícias na Comunicação Social;

Há o Marcelo Rebelo de Sousa, que é a Comunicação Social e cujas ideias são ser a Comunicação Social;

Há o Santana Lopes, que não tem ideias e só tem meia Comunicação Social;

Há o Rui Rio, que tem Comunicação Social, máquina pronta e tudo mas cujas ideias não se conhecem muito bem;

Há o Paulo Portas, que se toda esta gente avançar avança também, até porque, tendo ideias, Comunicação Social e máquina, não se percebia que não tentasse a sua sorte;

Há o António Sampaio da Nóvoa, que tem Comunicação Social, o apoio de todos os ex-chefes de Estado vivos (e penso que dos mortos também, até o D. Afonso Henriques) e que guarda as ideias para si ou só as transmite em código;

Há a Maria de Belém, que começou a ter Comunicação Social mas só tem ainda uma vaga ideia sobre se se candidata;

Há o candidato do PCP, porque haverá sempre o candidato do PCP e desta vez não podia faltar; terá uma (não mais) ideia e um órgão de Comunicação Social;

Há o Francisco Louçã, ou outro que o Bloco de Esquerda decida, porque, se o Sampaio da Nóvoa não for apoiado pelo PS nem pelo PCP, o Bloco não pode apoiar, por razões de princípio e de divergência ideológica severa, o mesmo candidato que o Livre, que é Sampaio da Nóvoa;

Há o candidato do MRPP, porque há sempre um tipo que precisa de aparecer para não esquecer;

Há a Joana Amaral Dias, porque vai dizer que é indecente não haver mulheres, esquecendo-se da Maria de Belém;

E ainda falta o candidato transgénero, apoiado pela ILGA, e mais 57 com causas particulares, que vão do ambiente à defesa das lagartixas recentemente encontradas nas ilhas Tinhosas, ao largo de São Tomé.

Por isso, a logística do boletim não é simples. Mas já estou a tratar do assunto!