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Expresso

Editorial

Uma geração sacrificada

Com a aprovação pelo Tribunal Constitucional, o casamento homossexual tornou-se assunto encerrado. É tempo de enfrentarmos problemas graves da família.

É raro quem está bem instalado preocupar-se com os que não chegaram a esse nível de conforto. Mas é um dever moral de quem dirige o país ou nele tem voz activa.

Se olharmos para a geração que está agora a chegar ao mercado de trabalho - na casa dos 20 anos - poderemos ter uma certeza: 90 por cento não conseguem um emprego decente. Apesar de terem habilitações superiores às gerações anteriores, os trabalhos que arranjam são as mais das vezes precários, incertos, muitas vezes indiferenciados e todos mal pagos. É fácil encontrar jovens que ganham menos de metade do que alguém com 40 anos que faz mais ou menos o mesmo.

É certo que o conceito de emprego para a vida terminou. Mas não menos certo é que esta constatação deveria levar-nos a mudar uma série de políticas, sobretudo as que dizem respeito à mobilidade profissional.

Os jovens, por não terem emprego certo, têm dificuldade em comprar casa, ao mesmo tempo que o mercado de arrendamento é incipiente. Sem rendimentos capazes, os jovens não constituem família, não têm condições para ter filhos, vivem sem esperança, sem perspectiva. Os melhores emigram e os mais velhos (como António Barreto dizia há dias) acham que é o melhor que eles têm a fazer.

Este é um problema nacional - não diz sequer respeito aos direitos de uma minoria. E talvez seja esse o drama. Não há lóbi, partido, ou associação que os defenda. E, no entanto, é um drama que se desenrola à vista de todos.

Amigos

José Sócrates confirmou uma notícia do "Público" segundo a qual projectou 21 casas no Concelho da Guarda, em pouco mais de dois anos, quando era deputado e porta-voz para o Ambiente do PS. Numa nota do gabinete do primeiro-ministro, e num tom que não assenta bem a um governante, o primeiro-ministro acrescenta que todas as casas foram projectadas a título gratuito, porque todas a pedido de amigos. 21 amigos no mesmo concelho a precisar de casa em apenas dois anos é obra...

O misterioso Santos Silva

É certo que a política está presente em praticamente todas as actividades. Mas nos negócios do Estado há que ter cuidado antes de arremessar armas. Foi o que não teve o ministro da Defesa. Ao acusar o Governo PSD/CDS por não acautelar os interesses do país, misteriosamente não estudou o dossiê e não viu que algumas das críticas que fazia iam, directas, para o Governo de Guterres, de que também fez parte.

Que grande ajuda a Portas!

Texto publicado na edição do Expresso de 10 de Abril de 2010