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Editorial

A outra face da Igreja

A Igreja está debaixo de fogo devido à pedofilia. Mas nem a pedofilia se resume a um problema da Igreja, nem a Igreja pode ignorar que esse problema também é seu.

(www.expresso.pt)

Quanto mais delicados são os assuntos mais explicados devem ser. É o caso da relação entre pedofilia e Igreja.

Depois de vários países - EUA, Irlanda, Alemanha - também a Portugal chegaram as suspeitas, e logo em vésperas da primeira visita do Papa Bento XVI.

A pedofilia não é uma característica da Igreja, nem uma marca que a atinja em especial. Os casos mais graves até hoje detectados no nosso país deram-se na Casa Pia, onde as crianças estavam à guarda do Estado. Ninguém tirou conclusões sobre a hierarquia do Estado, ao contrário do que alguns pretendem fazer com a hierarquia da Igreja.

Mas a Igreja tem um problema real com a pedofilia: em tempos, erradamente, tentou escondê-la porque podia viver demasiadamente fechada. Hoje, tal enclausuramento é impossível e o Vaticano percebeu-o em 2001 quando, na sequência dos escândalos de Boston, obrigou todos os bispos a reportarem à Santa Sé os casos descobertos. Recentemente, em 2009, o relatório Murphy, dos católicos irlandeses, voltou a contribuir para a transparência ao assumir e denunciar mais casos naquele país (é, até, bom exemplo para a Casa Pia e outras instituições, que nunca investigaram os seus passados).

São estas as boas práticas que o Episcopado português deve seguir. Nada esconder, saber resistir à dor (o que no étimo latino significa ser tolerante), investigar as denúncias e ser exigente com os seus ministros, de quem se espera sejam fonte de exemplo e nunca de repulsa.

Renascer

A Páscoa é para os cristãos um tempo de renascimento, mas nada indica que o seja também para o PSD. E, no entanto, os sociais-democratas estão com um novo líder, saído de uma eleição na qual não restaram as mínimas dúvidas sobre a preferência dos seus militantes.

Passos Coelho não sofre de falta de legitimidade, apenas pode sofrer de excesso de expectativas. Depois do congresso do próximo fim-de-semana, já com a casa arrumada, começaremos a ver se há ou não ressurreição.

Submarinos encalhados?

Mais um caso, desta vez do tempo do Governo do PSD com o CDS, mais um tiro na credibilidade do Estado e dos políticos que o dirigem.

Dizer que se espera uma conclusão rápida e que sejam punidos os responsáveis, tornou-se uma enorme banalidade. O tempo da Justiça também se mede em eficácia, pelo que se espera que este caso, que tem progredido, não encalhe - como costuma acontecer aos casos em que a política está envolvida

Texto publicado na edição do Expresso de 2 de Abril de 2010