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Editorial

O Governo e o Expresso

Expresso revelou lista fechada 
de 64 vítimas, a existência de critérios 
e de vítimas indiretas. PGR confirmou tudo

A notícia do Expresso de há uma semana sobre as vítimas mortais do incêndio que, a 17 de junho, começou em Pedrógão marcou a semana política.

As principais consequências foram a publicação oficial da lista pelo Ministério Público, a assunção de critérios que separam vítimas entre diretas e indiretas e o anúncio de investigações paralelas. A lista divulgada na terça é rigorosamente a mesma que o Expresso revelou no sábado, a existência e definição de critérios de classificação de vítimas foi confirmada, assim como a identidade de uma vítima mortal indireta, tendo a PGR identificado uma segunda.

Depois vieram as reações políticas, em que sobretudo o PSD (mas também o CDS) teve um comportamento lamentável, indiciando avidez de escândalo e lançando especulação sobre as intenções do Governo. A notícia do Expresso não lança nem sugere suspeitas sobre o Governo, dando aliás a lista como fechada.

E aqui entra a reação de responsáveis oficiais do executivo e dos socialistas. João Galamba, porta-voz do PS, escreveu nas redes sociais mensagens como esta: “O Expresso decidiu brincar aos jornais a fingir.” Isto não é criticar nem argumentar, é ofender, e o Expresso não brinca: as informações publicadas confirmaram-se. Tiago Barbosa Ribeiro, presidente do PS-Porto, escreveu também nas redes sociais que “a PGR contrariou” a notícia do Expresso. É falso, a PGR confirmou todas as informações. Pedro Nuno Santos, secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, disse na SIC Notícias que “a especulação começa com a notícia” do Expresso quando, pelo contrário, a nossa notícia encerrou uma especulação que, sim, existia, quer em listas parcelares ou com erros já publicadas noutros jornais quer entre as famílias nos concelhos afetados. O país não é o Terreiro do Paço, é também o interior e as pessoas daqueles concelhos são as mais importantes nesta tragédia. Houve políticos que desvalorizaram aliás ser “apenas mais uma ou duas”, o que revela distância face às famílias que, em luto, não souberam pelo Estado que as suas vítimas não estavam na lista oficial.

Se as reações políticas à notícia do Expresso lançaram especulações políticas, isso é responsabilidade dos políticos que as fizeram. E é também responsabilidade dos dirigentes do PS manterem o sentido institucional dos seus cargos e saberem criticar mas não manipular, misturando informações que não estavam no Expresso com as confirmadas que publicámos.

Não foi preciso esperar por terça-feira pelo comunicado da PGR para conhecer a lista oficial, a existência de critérios e de vítimas indiretas e assim encerrar as especulações, bastou ler no sábado o Expresso. E, como disse António Costa, “estou muito satisfeito que a divulgação da lista tenha posto termo à especulação”. Precisamente.