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A fronteira do casaco e Melania

Em plena crise das crianças imigrantes enjauladas depois de separadas dos seus pais na fronteira sul dos EUA, os media paralisaram no ‘casaco-gate’. A primeira-dama, Melania Trump, no que seria a sua mais importante e simbólica viagem a solo desde que o marido tomou posse como Presidente e num sinal “evidente” de que poderia estar contra a política deste, decide usar uma parka verde com uma mensagem nas costas — “pintada” a graffiti branco — que irá abafar o objetivo da deslocação. Pouco se irá falar da sua visita a um centro de crianças detidas na fronteira — onde aliás fez umas perguntas tolas e inconsequentes e deixou sair uns “great!” —, mas o casaco irá ganhar uma dimensão planetária que perdurará ao longo de dias, numa Administração onde soundbytes abjetos não duram mais do que horas. Quando o marido Donald diz que os imigrantes vêm “infestar” os EUA ou que são “animais”, a mensagem é clara. Não restam dúvidas. Mas quando Melania usa o casaco, num dia de 24 graus, na ida e na volta, e não no Texas, com uma frase gigantesca nas costas a dizer “I really don’t care, do u?” (Na verdade eu não quero saber, e tu?) fica-se perturbado, porque não se percebe a quem se destina a mensagem. É para o marido? É para nós? É ironia, um desafio para os que não se ralam? Assim se fez uma conspiraçãozita. E cá estamos para nos deixarmos engolir por ela. Bem pode o staff de Melania garantir que é apenas um casaco e que não há nenhuma mensagem escondida (está bem à vista, ironizam os humoristas), mas mais tarde vem o próprio Presidente validar a polémica no Tweet dizendo que os destinatários são os “fake news media”, ou seja, a comunicação social que não faz o jogo de Trump.

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