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Pátria

Desafiado pelo meu sogro, passei o ano a ouvir Sibelius. O desafio era este: é a obra do finlandês superior à obra de Beethoven? O que me parecia herético à partida é agora um possibilidade: no mínimo, Sibelius tem o direito de aplicar uma carga de ombro no alemão; no máximo, tem o direito de lhe roubar a bola. A quinta de Sibelius pode superar a quinta de Beethoven, até porque este som níveo tem dentro de si uma ética patriótica.

Quando se ouvem as sinfonias e os poemas de Sibelius (1865-1957), é fascinante perceber que aquela música, imaterial por natureza, ajudou a criar a matéria orgânica de um povo; a liberdade artística de Sibelius formou a liberdade política dos finlandeses. Os poemas são mais curtos e violentos; representam o ato de libertação. Por sua vez, as sinfonias representam a consolidação de um ser novo, a Finlândia, através de um som mais pensado. Nem por acaso, a Finlândia acaba de comemorar o seu primeiro século independente (1917-2017).

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